Especialistas debateram a proteção de clientes e instituições financeiras dos ataques cibernéticos - crédito: TV DIM

Especialistas debateram a proteção de clientes e instituições financeiras dos ataques cibernéticos – crédito: TV DIM

Na hora de comprar online, 3 em cada 10 brasileiros desistem de completar a transação, seja porque, por segurança, a loja virtual solicitou algum dado que não gostariam de compartilhar ou porque pediu excesso de informações. Gastão Mattos, CEO da consultoria empresarial Gmattos, apresentou esses dados  durante painel nesta quarta, 25, no Digital Money Meeting.

“Nesta questão da usabilidade versus segurança, você melhora o sistema para escapar de fraudes, mas perde a conversão porque o cliente foi embora”, disse Mattos, sobre a situação apresentada.

De acordo com o consultor, uma disciplina em torno disso é essencial para qualquer loja, de qualquer tamanho. “Vai melhorar aqui, mas vai piorar lá. Faz sentido?”, questionou.

Para Josemando Sobral, CEO e fundador da Unxpose, “um desafio é explicar para o usuário que tipo de dado ele vai liberar e pra quê”.

Ele disse que “explicar o perigo é outro desafio, e também que dados a pessoa já compartilhou, que outra instituição está usando”.

Sobral pontuou que muitas lojas já pedem foto do comprador, e que isso gera muita rejeição, mas que uma hora terá que ser aceito. “Ou vai chegar um momento em que a pessoa não consegue mais comprar.”

O CEO e fundador da Unxpose disse que o jeito é saber explicar ao cliente. E aí entra outra questão. “Como mostrar ao usuário a necessidade de informação do dado solicitado de forma fácil? Com foto? Com vídeo?”

Quinta posição

O Brasil é o quinto país mais atacado ciberneticamente, o que não surpreendeu os especialistas do painel do Digital Money Meeting.

“Temos um sistema financeiro que roda de forma robusta. Uma robustez técnica, com muitos controles – tipo reguladores, CVM -, e controles rígidos. Você lida com valores muito altos, então logicamente isso vira suscetível a ataques”, falou Ronaldo Torturella Faria, CTO da Afya Digital Health.

Para Faria, as ferramentas vêm junto com as soluções, e dificilmente veremos ataques que derrubem instituições. “Somos alvo, mas temos muitas soluções técnicas que ajudam a fugir desses ataques. Porém, quanto mais soluções, mais entram novas questões de segurança. Tipo o PIX”, disse.

Segundo Josemando Sobral, o Brasil tem uma característica particular: sempre foi muito avançado tecnologicamente. “Isso atiça os atacantes e gera mais ataques. Uma coisa é ligada à outra.”

Gastão Mattos comentou que o Brasil foi um dos primeiros países a implementar o chip com senha, no final dos anos 1990. “E é muito seguro para compras presenciais. Então os bandidos migraram para o comércio eletrônico. Repare que toda fraude é online. Quase não se tem mais roubos a banco, por exemplo”, falou.

LGPD

Ronaldo Torturella Faria lembrou da importância da LGPD na questão da segurança virtual. “Os bancos são obrigados a reportar ataques. A LGPD veio justamente para que existam responsáveis por dados. Antes tínhamos buracos. Sumiam dados e não havia instrumento para definir um culpado. Você começa a ver que a regulação é importante quando tem problemas.”

“A LGPD é um processo novo. Ainda está sendo assimilada. É parecida com lei similar da Europa, e os principais agentes indicam que estão de conformidade. Por conta disso, agora ficamos sabendo dos ataques porque a lei obriga que sejam informados”, falou Gastão Mattos.

Para o consultor da Gmattos, segurança virtual é como plano de saúde. “Você valoriza quando precisa”.

“Estar seguro hoje não quer dizer que se estará seguro amanhã. Então tem que haver uma gestão de segurança”, completou.

Há 10 meses, 40% das empresas ainda não haviam se adequado à LGPD.

Reinvenção

Dentro desse cenário, os painelistas fizeram observações também sobre a competição entre os novos players, tecnologicamente avançados, e os velhos bancos.

“No final do dia, você vê que os 5 ou 6 maiores bancos têm 80% do mercado. Então por um lado é bom que entrem novos players. Mas, por outro, os bancos antigos têm que ter a mesma agilidade para acompanhar. Olhamos muito pela competição, mas temos que valorizar os que estão se defendendo. É um cara mexendo no carburador enquanto chega outro com um carro que nem carburador usa mais”, comparou Gastão Mattos.

“Os bancos têm sistemas antigos que trafegam por mensagens de dados. Mas há uma robustez. O desafio é como conectar os motores antigos nos novos. Os bancos estão se reinventando, estão conseguindo acompanhar. E tem que ser assim, ou vão ficar pra trás. E agora ainda vão chegar os bancos gringos, com tecnologia ainda mais avançada…”, completou Faria.