Isaac Sidney, presidente da Febraban Crédito: Divulgação

Cerca de 70% dos brasileiros gastam mais do que ganham, segundo pesquisa para implementação do índice de Saúde Financeira (I-SFB), lançado hoje pelo Banco Central e Febraban. O levantamento foi realizado com 5 mil participantes, de todas as regiões do país, com mais de 18 anos e algum tipo de relacionamento com o Sistema Financeiro Nacional (SFN). O novo indicador mostra que a saúde financeira dos brasileiros é de 57 pontos, em uma escala de um a 100.

A construção do I-SFB contou com a participação de mais de  70 especialistas do setor financeiro, que trabalharam em conjunto. O novo índice é voltado, especialmente, aos cidadãos que têm vida financeira ativa e querem mensurar sua saúde financeira. Além disso, oferece uma análise agregada da vida financeira dos cidadãos que poderá contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas e ações privadas.

Trata-se de uma ferramenta inédita para educação financeira no Brasil, inspirada nos mais respeitados protocolos internacionais sobre o tema. Índices semelhantes já foi implantados em países como Estados Unidos, Escócia e Cingapura. “A ideia é ter um indicador que possa ir se ajustando à nossa realidade econômica e que será útil no contexto pós-pandemia. Ninguém perde quando se tem a vida do consumidor saudável”, afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban.

A maior diferença do modelo brasileiro para os internacionais está na importância da base socioeconômica da população, o que tem influência tanto no sentimento de segurança financeira, como também na habilidade para se informar e na capacidade de se engajar em bons comportamentos.

O conceito de saúde financeira é baseado em cinco eixos: capacidade do cidadão cumprir suas obrigações financeiras correntes, tomar boas decisões, ter disciplina e autocontrole para atingir seus objetivos, sentir-se seguro quanto ao seu futuro financeiro e ter liberdade de escolha que lhe permita aproveitar a vida. “Conforme nosso diagnóstico, a maioria do cidadão tem contas equilibradas, mas pouca margem de erro”, afirmou Amaury Oliva, diretor de cidadania financeira da entidade.

A Febraban e o BC apontaram também na pesquisa que apenas 21,9% têm reserva suficiente para dar conta de uma despesa inesperada; 58,8% afirmam que de alguma maneira passam por stress na vida financeira, que reflete entre os familiares; 53% vivem esse stress há mais de um ano em função da pandemia; 34,1% se sentem capazes de reconhecer um bom investimento; somente 37,9% conseguem perceber que precisam buscar orientação financeira; e 64,7% não têm segurança sobre seu futuro financeiro.

A abordagem do novo índice é mais uma das iniciativas da agenda BC# e tem como meta transformar o comportamento do cidadão para melhorar o desenho e a oferta dos produtos financeiros, conforme Maurício Moura, diretor de relacionamento cidadania e supervisão do Banco Central.

Ao enfrentar o desafio de melhorar a saúde financeira do brasileiro por meio da educação financeira, o usuário terá condições de tirar melhor proveito das facilidades oferecidas pelas novas plataformas Pix e Open Banking, observou Luís Gustavo Mansur Siqueira, chefe do departamento de proteção da cidadania financeira do Banco Central.