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Zeca Doherty, superintendente geral da Anbima Crédito: Flickr

Os influenciadores digitais de investimento, que tiveram um crescimento exponencial estimulados pelo ambiente de juros baixo durante a pandemia, estão no radar da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Para entender como opera um universo hoje de 266 influenciadores com 74 milhões de seguidores, a associação contratou uma empresa de consultoria para fazer o monitoramento.

“É um trabalho que estamos compartilhando com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que também tem monitorado e atuado em cima de possíveis desvios. Os influenciadores trazem informações ricas para a Anbima, que servem de insumos até para auxiliar na forma como tratamos a questão da educação financeira, um dos pilares na associação”, afirmou Carlos Ambrósio, presidente da Anbima, durante o Anbima Summit.

Os investidores, segundo ele, buscam cada vez mais alternativas para trabalhar seu recurso de forma mais eficiente e o influenciador vem atender essa demanda por informação. “Porém, temos que ficar atentos para que não prestem aconselhamentos, pois são atribuições de consultores e gestores qualificados e autoregulados para isso”, observou.

Com relação a política de fundos de investimento que está sendo revisada pela CVM em consulta pública, Ambrósio se posicionou pelo fim da assimetria entre os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil que representam valores mobiliários de emissão de companhias abertas com sede no exterior.

A expectativa da Anbima era acabar com a assimetria ainda este ano. “O varejo pode ter acesso ao mercado internacional via BDRs, enquanto os fundos de investimentos geridos por profissionais regulados e autoregulados, se forem acessados pelo varejo estão limitados a apenas 20% da carteira. É importante liberar e dar acesso ao gestor profissional 100% do mercado para ofertar o varejo, que pode ser uma porta de entrada para uma  diversificação mais eficiente, assim como para o desenvolvimento da indústria local de gestão ter outras alternativas para buscar retorno em suas carteiras.”

Open Finance

Considerado uma das grandes revoluções do mercado financeiro e de investimentos, o Open Finance vai trazer um leque de oportunidades para as instituições financeiras em vários aspectos, conforme Zeca Doherty, superintendente geral da Anbima. “Além de melhorar o relacionamento com os clientes, as empresas poderão conhecer com mais detalhes o perfil do investidor para oferecer produtos mais customizados e ter acesso a uma nova fonte de receita por meio de possíveis parcerias de negócio com as fintechs e empresas de tecnologia e inovação.”

ESG

Com relação a agenda ESG, Doherty acredita que trata-se de um tema ainda em desenvolvimento tanto no Brasil como no resto do mundo e que precisa passar por vários processos de aprendizado para ser incorporado na carteira de investimento.

A Anbima está envolvida com a questão ESG desde 2018. Em 2019, publicou um guia voltado para a indústria de asset management que estabelece alguns princípios a serem seguidos. E recentemente, lançou a agenda Anbima ESG que trata da maturidade dos agentes de mercado.

“É fundamental termos os profissionais de mercado alinhados aos princípios ESG, tanto que estamos incluindo em nossas certificações o conteúdo ESG. Os aspectos ESGs também estão incluídos nos conteúdos e treinamentos dos investidores, que também precisam estar preparados para lidar com o assunto.”

Além disso a Anbima colocou em audiência pública a identificação de fundos ESG e de casas de assets ESG. “Mais importante do que ter um fundo comprando um ativo sustentável, é ter um fundo e casa de ativos com cultura e política de investimentos em ESG”, conclui