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O que seria do novo ecossistema financeiro digital sem o suporte da computação na nuvem? Fundamental tanto para fintechs e startups nativas digitais quanto para grandes bancos em processo de transformação digital, a nuvem é um alicerce estratégico para a inovação financeira. Tatiana Orofino, gerente de desenvolvimento de negócios para mercado financeiro da AWS no Brasil, cita o exemplo do Banco Itaú que anunciou, no final do ano passado, um contrato de dez anos para a migração para a nuvem.

“É muito interessante o movimento de um banco tão representativo como o Itaú, fazendo um grande processo de transformação digital com a AWS. Mas essa é uma estratégia de instituições de todos os tamanhos com as quais trabalhamos. O que vemos é o movimento forte de disrupção de fintechs e bancos digitiais trazendo novos modelos e provocações para todo o setor. Isso está impulsionando também os grandes bancos a fim de trazerem mais agilidade para seus consumidores por meio de uma transformação digital”, analisa Tatiana Orofino.

A AWS tem um grande leque de instituições financeiras na carteira de clientes. A começar pelo Nubank, que roda 100% em sua estrutura, tendo lançado seu primeiro cartão de crédito em sete meses, impactando positivamente o setor. Segundo Edward Wible, CTO da Nubank, a nuvem permite que se crie uma nova versão do Nubank várias vezes por mês e substitui a versão mais antiga, incluindo toda a infraestrutura.

“O modelo de sucesso do Nubank se apoiou na agilidade e na flexibilidade da plataforma AWS, respondendo ao desafio de lançar um novo modelo de negócio num curto espaço de tempo. Eles utilizaram um programa da AWS para fintechs e startups, o Activate, que apoia startups com investimento da AWS para que possa começar, com crédito em serviços, suporte técnico e treinamento”, informa Tatiana Orofino.

Entre os bancos digitais, os destaques são o BTG+ e o C6. O BTG Pactual já havia migrado outras plataformas e iniciou uma jornada digital que culminou no lançamento do BTG+, banco digital totalmente na nuvem AWS e focado em clientes pessoa física. O banco foi lançado em janeiro com expectativa de alcançar 4,5 milhões de correntistas nos próximos três anos. O BTG+ conta com mais de 30 serviços da AWS para viabilizar sua estratégia.

O C6 escolheu a AWS como provedor de nuvem preferencial em um acordo estratégico de longo prazo. Ao utilizar os serviços da AWS e um modelo ágil de gerenciamento com foco na experiência do usuário, o banco tem obtido sucesso em lançar novos produtos de maneira rápida, diferencial na estratégia do C6 para atração de novos clientes.

“Fintechs e bancos digitais são nativos na nuvem ou passaram por uma migração para atingir modelos mais ágeis e escaláveis e por isso buscaram a nuvem como uma solução de infraestrutura para atender a essa demanda de negócio. A grande demanda do segmento é por ferramentas de infraestrutura seguras e resilientes para ter um ambiente mais seguro e monitorável com ferramentas de automatização”, diz Tatiana Orofino.

Outra característica da nuvem que alavanca a demanda do sistema financeiro, é a capacidade de gerenciar dados de uma maneira geral. As fintechs, para se diferenciar no mercado, buscam modelos que tragam insights ou experiências inovadoras baseadas em dados.

“A capacidade de gerenciar e receber um grande volume de dados, armazená-los de forma segura e disponibilizá-los para uma aplicação de negócio é outra demanda expressiva na AWS. A escalabilidade é mais um diferencial. O objetivo da fintech é crescer rapidamente, mas não é possível prever a demanda de infraestrutura. A escalabilidade rápida é um grande benefício da nuvem”, reforça Tatiana Orofino.

Ela destaca que os bancos médios estão sendo particularmente pressionados. Os grandes bancos já têm uma posição de mercado bastante estabelecida, até pela concentração bancária no Brasil. E agora também há o movimento da fintechs. “Os bancos médios estão pressionados por todos os lados e vêm procurando se diferenciar e passando por um processo de modernização para trazer novos modelos” avalia ela.

Um bom exemplo é o Banco Fibra que fez uma migração de todas as suas operações para a AWS, visando agilidade, automação de processos. redução de custos buscando ganhar escalabilidade e ter acesso a novas tecnologias.
A AWS atende também fintechs relevantes como GuiaBolso, Youse, Creditas e Pismo. Para a Guiabolso, a nuvem facilitou a etapa de importação de dados de usuários, operação delicada, que gira em torno de centenas de milhares ou milhões de dados por minuto, segundo o líder técnico Alexandre Oki Takinami.

O objetivo da Youse, plataforma de vendas online da Caixa Seguradora, foi buscar flexibilidade e agilidade, além da possibilidade de crescimento sem a necessidade de se preocupar com infraestrutura. A Creditas nasceu na nuvem da AWS, economizando tempo na implementação de novas aplicações e trabalhando com recursos avançados de segurança. Enquanto a Pismo suporta bancos e fintechs na construção de produtos de pagamentos e destaca o suporte da AWS na sua implementação.

Já os grandes bancos podem vir a ser chacoalhados pela decisão do Itaú,  devido à complexidade da transformação digital do maior banco da América Latina. Tatiana diz que a decisão do Itaú está movimentando bastante o mercado, e não apenas o financeiro. O banco pretende migrar suas plataformas de sistema core, sistema de call center e de atendimento a clientes mobile e internet banking. “É um movimento bastante ousado”, conclui Tatiana.