Pedro Coutinho, presidente Abecs        Crédito: divulgação/ Cláudio Belli

A indústria de meio de pagamentos projeta crescimento entre 23% e 25% até o final do ano, chegando a R$ 2,5 trilhões, 30% do PIB, segundo Pedro Coutinho, presidente da Abecs, associação que reúne as empresas de cartões, durante a live de divulgação dos resultados no segundo trimestre de 2021 realizada hoje, 09.

O setor demonstrou mais uma vez resiliência e capacidade de reação, encerrando o segundo trimestre de 2021 com crescimento de 52%, com volume de R$ 609,2 bilhões e 7,1 bilhão de transações. O cartão de crédito cresceu 53%, com  R$ 371,3 bilhões, o débito 42,3%, R$ 214 bilhões e o pré-pago 214%.

A inadimplência manteve-se nos menores patamares da história fechando junho com 4%. Isso mostra, segundo Coutinho, o bom trabalho da indústria em educação financeira junto aos consumidores, o que estimula a Abecs a incentivar o crescimento do uso de cartões parcelados sem juros e do crediário. “A indústria já roda próxima aos 20%, em comparação aos 15% estimados no segundo trimestre de 2020”, afirmou.

Pix

De acordo com o presidente da Abecs, a entrada em operação do Pix em novembro do ano passado, não impactou os resultados da indústria, que seguem crescendo. “Há uma concentração de crédito grande no modelo de negócio no país, tanto no parcelado sem juros como no crédito à vista. O cartão de débito também tem muita conexão com a experiência dos usuários. Cada cliente tem seu comportamento e a melhor forma de realizar seus pagamentos.”

Auxílio emergencial, embora importante para a economia, apresentou pouca representatividade para a indústria de cartões neste trimestre. “Se comparado ao segundo semestre do ano passado, que chegamos a ter R$ 50 bilhões dos auxílios emergenciais impactando a indústria de pagamento, este ano os números estão entre 1,2% e 1,3% e a diferença acumulada é de apenas R$ 4,5 bilhões”, disse.

Turismo estimula crescimento

Com a abertura das fronteiras para turismo e viagens de negócios, os gastos dos brasileiros utilizando cartões como meios de pagamento voltam a crescer no segundo trimestre de 2021, depois de seis trimestres consecutivos de queda. Porém em volumes ainda muito menores: 59,5%, movimentando R$ 3,7 bilhões.

No mundo, Estados Unidos e Europa apresentaram maior participação de volumes em pagamentos por cartão. No Brasil, o valor transacionado pela indústria no primeiro semestre foi de R$ 1,2 trilhão, crescimento de 33,2%. O cartão de crédito cresceu 30,8%, cartão de débito 30%, pré-pago quase 200%. Foram 13 bilhões de transações, cartão de débito e crédito representando quase 50% das transações cada um.

As compras não presenciais, incluindo transações digitadas e e-commerce, cresceram 46,5% no segundo trimestre de  2021. No semestre, 41%, atingindo R$ 255 milhões nesse período. Crédito com maior participação, no segundo tri quase 50%, débito caiu 10% e o pré-pago cresceu 80%.

NFC em alta

O pagamento por aproximação apresentou crescimento de R$ 34,4 bilhões no segundo trimestre de 2021, saltando para quase 700%, em comparação aos 540% alcançados no 1tri2021. A expectativa é ultrapassar 100 bilhões de transações até o final do ano.

O projeto de mobilidade urbana com o uso de NFC já começa a ser percebido pelo nível de aceitação em pedágios cobrados pelas rodovias. Crescimento de 170% neste trimestre, comparado ao ano passado. Atualmente são mais de 55% de cartões contactless sendo usados.

“Os resultados demonstram a popularização do NFC, decorrente dos investimentos realizado pela indústria nos novos cartões para adequar todo o parque de captura POS. Além das tecnologias, os pedágios rodoviários já aceitando pagamentos por cartões por aproximação vai acelerar os resultados e agregar mais comodidade e segurança para o usuário. O NFC representa hoje 10% da quantidade de transações”, disse.

No comércio, a Abecs já cresce o número de comerciantes oferecendo o pagamento por aproximação como alternativa. A iniciativa, segundo Coutinho, também é fruto do processo de educação financeira que a indústria de cartões vem desenvolvendo junto aos estabelecimentos comerciais. Em junho 2021, foram 112 milhões de transações, sete vezes maior que o 16 milhões de junho de 2020.