Homem faz diversas operações financeiras pelo celular

Crédito: Freepik

Com a oferta cada vez mais disseminada de serviços financeiros, os grandes bancos devem  investir em tecnologia para repassá-la a players não financeiros, tornando-se silos tecnológicos. A opinião é do presidente da Abfintechs, Diego Perez, que reagiu também à acusação recente do presidente da Febraban às mudanças regulatórias promovidas pelo Banco Central.

“Os grandes bancos vão investir muito mais em serviços tecnológicos para entidades não financeiras do que entregar serviços financeiros na ponta. A tendência é que os bancos passem a ser grandes silos tecnológicos para serviços financeiros que, por meio do open banking, sejam conectáveis para que qualquer entidade não financeira possa consumir essa infraestrutura”, prevê Perez.

Para ele, quando a oferta por serviços financeiros for maior em players não financeiros para o usuário comum do dia a dia, os bancos vão investir muito mais na infraestrutura de conectividade do que empacotar serviços para o consumidor final.

O presidente da Abfintechs comenta também a fala do presidente da Febraban, Isaac Sidney, na abertura do Ciab 2021, ao criticar o tratamento diferenciado dado às fintechs, ressaltando a eficiência e os serviços prestados pelos bancos na pandemia.

Segundo Diego Perez, os pontos destacados por Sidney são aqueles que o Banco Central está flexibilizando, do ponto de vista regulatório, para incluir a entrada de novos players e para facilitar o acesso de pessoas que ainda não foram bancarizadas ou utilizam poucos recursos dos serviços bancários.

“Falar em assimetria regulatória é uma falácia, porque o que existe é uma regulação proporcional. Para quem está começando e quer chegar a um determinado ponto, existem requisitos regulatórios específicos. Se uma fintech quer se tornar um grande banco vai ter que pleitear os respectivos registros, ela não tem as portas abertas para virar banco sem as licenças regulatórias exigidas a um conglomerado financeiro.” argumenta.

Agenda de inclusão

A partir do momento que o Banco Central criou uma agenda propositiva para promover competição, reduzir custos, trazer eficiência e democratizar acesso, os grandes bancos foram os principais atingidos, na opinião de Diego Perez. “O Sistema Financeiro Nacional só vai ser eficiente quando for inclusivo e só será inclusivo quando for barato e competitivo. Tudo isso tem a ver com a entrada de novos players desafiantes, os challengers, que são as bigtechs e as fintechs”, ressalta.

Perez elogia a atuação do Banco Central ao dar incentivo para quem deseja entrar no mercado financeiro, impondo obrigações à medida do crescimento dos volumes transacionados. “Não existe um tratamento desequilibrado, pelo contrário, cada estágio tem o tratamento proporcional ao seu tamanho”, conclui.