Caio Ribeiro, diretor-geral da Addi no Brasil

Caio Ribeiro, diretor-geral da Addi no Brasil Crédito: Divulgação

O comércio eletrônico no Brasil bateu recorde de vendas no primeiro semestre de 2021, com faturamento de R$ 53,4 bilhões e crescimento de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são do relatório da Ebit Nielsen, em parceria com o Bexs Banco, e é de olho nesse mercado que a colombiana Addi chegou ao país em março deste ano.

Fundada em finais de 2018, a Addi recebeu, recentemente, aporte de US$ 65 milhões, liderado pela Union Saquare Ventures, e parte dos recursos foi utilizada para a expansão dos negócios no mercado brasileiro.

A novidade que a fintech trouxe ao Brasil é o modelo ‘buy now, pay later’, uma espécie de carnê digital que permite a compra parcelada sem cartão de crédito e sem juros. “O nosso diferencial para o e-commerce e para o consumidor é vender mais com a inclusão de uma população que não possui cartão de crédito ou tem um limite baixo, podendo parcelar suas compras em até três vezes sem juros”, explica Caio Ribeiro, diretor-geral da Addi no Brasil.

Para fornecer crédito sem garantia, a Addi desenvolveu um algoritmo que cruza a verificação de identidade com dados de birôs de crédito e de diversas outras fontes. “Nosso formato faz uma avaliação bruta dos dados e avalia se o cliente é viável ou não, fornecendo a aprovação em poucos minutos. Hoje, estamos focados em tornar essa experiência a mais conveniente possível”, afirma Ribeiro.

Para conseguir o empréstimo, o consumidor precisa fornecer apenas o CPF, o número de celular com acesso ao WhatsApp e um e-mail. A aprovação do crédito demora, segundo a Addi, no máximo, quatro minutos. Na sequência, um código para liberar o crédito é enviado ao celular e a compra é concluída.

O relatório da Ebit Nielsen revela que as compras por meio de celulares representaram mais da metade do faturamento total do e-commerce e do número de pedidos. No primeiro semestre as vendas por esse canal atingiram R$ 28,2 bilhões, com crescimento de 28,4%.

Segundo Caio Ribeiro, desde março, quando começou a operar no Brasil, a Addi finalizou 14 mil operações no país e o volume tem crescido mês e mês. A fintech já fechou parceria com uma centena de varejistas, principalmente dos segmentos de moda, cosméticos, brinquedos e eletroeletrônicos de baixo valor, entre eles estão Atacadão da Ótica, AM Ferramentas, Calçado Fácil, Erva Doce, FuteSports e K-Line Store. A solução da Addi está integrada às plataformas da Vtex, Nuvemshop e WooCommerce.

Sucesso no exterior

Nos cinco primeiros meses de 2021, a Addi realizou mais de 35 mil transações na Colômbia, um crescimento de cinco vezes no volume de transações na comparação com o mesmo período no ano passado.

Nos Estados Unidos, varejistas como Macy’s e H&M se associaram aos serviços buy now, pay later, que cresceram em popularidade durante a pandemia de COVID-19. Aproximadamente 42% dos americanos relatam usar os aplicativos pelo menos uma vez, de acordo com pesquisa do Credit Karma de fevereiro.

As empresas atuam como intermediários entre o varejista e o consumidor, obtendo a maior parte do seu lucro cobrando dos lojistas entre 2% e 8% do preço de compra, semelhante às taxas do varejista cobradas pelas operadoras de cartão de crédito.

Os aplicativos estão decolando entre a geração Y e os consumidores da Geração Z, atraídos pela capacidade de driblar os cartões de crédito tradicionais e ainda realizar os pagamentos sem juros.

Perspectiva de crescimento

O diretor-geral da Addi no Brasil conta que as operações da fintech começaram pelos pequenos e médios empresários no e-commerce e que agora já estão avançando para os grandes varejos. “A ideia é que a gente não conte em centenas, mas em milhares de varejos até o final do ano para que o público possa consumir nesses lugares”, estima Ribeiro.

“Temos um mercado maduro na Colômbia, onde, em média, os varejos que passam a aceitar a Addi aumentam as suas vendas em 20% já no segundo mês de operação. No Brasil, já temos cases que aumentaram as vendas em 50%, 60% depois de três meses trabalhando com a gente. Basicamente, estamos levando mais gente para o negócio e tornando o processo de compra mais conveniente”, conclui.