Os temas ASG pautam, cada vez mais, as agendas dos Conselhos de Administração e diversas novas competências são necessárias nos diferentes níveis das organizações. Isso exige uma governança estruturada para a sustentabilidade ao mesmo tempo em que surgem novas tendências como o cargo C level de Chief Sustainability Officer (CSO). O tema foi debatido no painel “ASG na governança corporativa: desafios e perspectivas”, na manhã do segundo dia do Ciab 2021.

Beatriz Pacheco, integrante da Comissão de Sustentabilidade do IBGC, diz que a sustentabilidade está presente de forma transversal no discurso dos Conselhos. Temas como oportunidades de inovação, gerenciamento de riscos têm de ser discutidos sob a perspectiva da sustentabilidade, que não deve ter um dia específico de discussão e sim estar presente em todos os momentos e temas.

Para Sonja Gibbs, diretora e head de finanças sustentáveis no IIF – Institute of International Finance, uma boa governança deve considerar a agenda ASG e deve levar em conta todos os temas a serem considerados pelos tomadores de decisão. “É preciso garantir que uma boa estrutura de governança assegure o gerenciamento de risco”, afirmou Gibbs.

Tarcila Ursini, chief purpose partner na EB Capital, conselheira de administração da Korin e Agrogalaxy SA e membro independente em Comitês de Sustentabilidade de grandes empresas, diz que o conceito não  é  novo, mas o fato novo é a integração da agenda ASG aos grandes temas corporativos. Para ela, em pleno século XXI, não há uma boa governança corporativa se as empresas não integrarem de fato a agenda ASG.

“Se a governança é o órgão máximo da organização e trata da forma como as empresas são dirigidas e geram valor, ela precisa, na sua estrutura e composição, ser capaz de capturar essas oportunidades. Transformação digital, mudanças climáticas e desigualdades sociais afetam as cadeias de valor das empresas e impactam no seu valor econômico de longo prazo. Há muitas oportunidades de inovação e de negócios. Um órgão colegiado com experiências diversas é capaz de entender essa complexidade e dinamismo”, defendeu Ursini.

Page Motes, head global de sustentabilidade na Dell Technologies, afirmou que a principal mudança na governança corporativa com a chegada da ASG, é que a integração com a estratégia de negócio, lembrando que o conceito ASG não é novo. Esses conceitos também são levados em conta nos processos de inovação aberta e nos processos de tomada de decisão.

Em termos de capacitações necessárias, Tarscila afirmou que muitas mudanças também ocorrem nos conselhos. As empesas estão percebendo que isso agrega valor. Os melhores conselhos conseguem olhar seu planejamento estratégico, a valorização do capital humano, do capital financeiro, a transformação digital mas também a agenda ASG.

“Os conselhos fazem uma matriz de competência com diversidade de gênero, experiências e assim compõem seu órgão colegiado que cria valor. As companhias começam a trazer profissionais que têm esse olhar mais transversal assim como conselheiros tradicionais começam a querer ampliar sua visão”, analisou Tarcila.

Beatriz Pacheco ressaltou que é necessária uma matriz de competência. Muitos conselhos estão trazendo especialistas e pessoas da sociedade civil. “Trabalho neste tema há 20 anos e tenho visto pessoas tentando mudar para a área de sustentabilidade e eu sempre falo que isso não precisa acontecer. As pessoas não precisam deixar de fazer o que fazem para ir para sustentabilidade e sim exercer sua profissão com o olhar da sustentabilidade”, afirmou Beatriz.