Crédito: Ciab 2021/Febraban

A indústria financeira do Brasil vem trabalhando a diversidade e a inclusão há mais de uma década e, mais recentemente, o tema passou a ser prioridade, quando a busca por um consumo mais consciente e a escolha por empresas política e ecologicamente corretas ganha espaço na sociedade.

O impacto positivo das estratégias de diversidade, inclusão e educação financeira foi um dos temas debatidos no segundo dia do Ciab 2021 e a conclusão dos debatedores é que o mercado financeiro já entendeu que esta agenda rende boas possibilidades de negócios, mas ainda há muito o que fazer.

Há 25 anos no mercado financeiro, Ana Carla Abrão, sócia em Finanças & Risco da Oliver Wyman no Brasil, concorda que hoje a representatividade feminina já mudou, embora em cargos de liderança as mulheres são apenas 10% e, como CEOs, são pouco mais de 6%. Segundo ela, é preciso avançar também na diversidade racial e de orientação sexual.

“A evolução é inequívoca, a partir de agendas que funcionaram com o gênero vão resultar também na diversidade em todos os níveis. É absolutamente importante que as pessoas estejam representadas nas empresas para que possam entender as necessidades dos clientes. A diversidade é uma agenda de negócios”, afirmou Ana Carla.

Marta Pinheiro, diretora-executiva de ESG e Desenvolvimento de Negócios da XP, também defendeu que a diversidade agrega para o negócio e é importante para a economia do país. “Empresas que são diversas conseguem trazer inovação e diferentes perspectivas de oportunidades”, disse.

Ela ressaltou o fato de, mesmo sendo um benefício para os negócios, é preciso justificar o investimento na diversidade e na inclusão. “Por que não evoluir? Por que não?”, provocou.

Racismo estrutural e educação financeira

Para o diretor-executivo da JP Morgan, Gilberto Costa, o mercado já reconhece o racismo estrutural existente no país e, no curto prazo, o Brasil vem evoluindo. Para avançar a médio e longo prazos, na opinião do executivo, é preciso mudar o protocolo ESG e investir na educação pública.

“Trabalhar o racismo na região Sudeste, Nordeste ou no Sul é muito diferente. O mercado vem se movendo, infelizmente por razões de violência racial, mas se o Brasil quer mudar o momento é este, é a pauta ESG que está em questão”, enfatizou.

Gilberto Costa ressaltou também que a educação financeira é uma demanda de cidadania, uma vez que milhões de pessoas não têm acesso à banco, ao crédito e à educação como um todo.

A vice-presidente de Vendas da Salesforce Brasil, Karina Lima, defendeu que a educação financeira traz a libertação e a tecnologia tem uma função fundamental. “Precisamos entender como devemos nos comunicar com a população, em que canal levar a informação. A rápida adesão ao Pix nos mostrou que isso é possível. É preciso vontade política”, concluiu.