Caio Belazzi, CEO Alpop - Crédito: Divulgação

Caio Belazzi, CEO Alpop – Crédito: Divulgação

O Brasil tem cerca de 63 milhões de pessoas com o nome negativado e outras 35 milhões que não conseguem comprovar renda, os chamados informais. De olho no mercado imobiliário de aluguel, que exclui quase 100 milhões de brasileiros dos contratos formais, Caio Belazzi, cientista de dados formado pela Unesp, fundou a Alpop, em 2018, uma espécie de Quinto Andar da baixa-renda.

A fintech simplificou o processo de aluguel, dispensando a figura do fiador, e inovou ao considerar a renda familiar no cálculo para aprovar uma operação, quando o mercado olha a renda do indivíduo.

No final de 2020, buscando mais eficiência, a Alpop deixou de atuar como imobiliária para focar no ramo financeiro da operação. Além de estimar o risco, o que é feito com o uso de 22 parâmetros coletados a partir do CPF do candidato a inquilino, a Alpop é a gestora do contrato e garante o pagamento dos aluguéis para as imobiliárias quando o inquilino atrasa. A fintech cobra uma taxa de 7% a 12% do valor do aluguel, conforme o nível de risco apresentado.

A partir de um algoritmo próprio de análise cadastral do inquilino, ‘a nossa fórmula da Coca-Cola’, segundo Belazzi, a Alpop realiza um filtro qualitativo de pessoas que não seriam aceitas em outros mecanismos de seguradoras imobiliárias. “Desde 2020, buscamos aumentar o funil das imobiliárias, sempre protegendo o pagamento do aluguel por parte dos inquilinos durante todo o prazo contratual. Por exigirmos apenas o CPF no momento da consulta, o nosso objetivo é também desburocratizar o processo de contrato entre inquilino e imobiliária”, explica Caio Belazzi.

Segundo o CEO da fintech, o nível de inadimplência nos contratos gira em torno de 1,9%, bem abaixo do verificado no mercado.

Com a mudança no modelo de negócios, o volume de contratos ativos mais que dobrou. Hoje são 700 contratos ativos com limite de até R$ 2,5 mil (incluindo condomínio e IPTU). Entre janeiro e agosto de 2021, o Alpop obteve um crescimento de receita bruta de 447% e um aumento de 397,30% no número de contratos ativos.

Desde janeiro, o Alpop avançou de 4 cidades para 30, em 8 Estados. Para o mês de outubro, imobiliárias de Bauru, Jaú, Marília, Mogi Guaçu, Pirassununga, Brotas, Atibaia, Bragança Paulista, Belo Horizonte (MG), Betim (MG), Osasco, Cotia, Taubaté e Mogi das Cruzes passarão a oferecer o Alpop como alternativa aos possíveis inquilinos.

Venda e produtos financeiros

“Este tem sido um ano de crescimento e, daqui até dezembro, a nossa meta de negócio é dobrar de tamanho, é superar os mil contratos, esperamos chegar aos 1.400, 1.500 contratos”, estima o CEO da Alpop.  A fintech planeja lançar, em 2022, novos produtos financeiros para os inquilinos e para as imobiliárias, como antecipação de recebíveis para imobiliárias e modalidade de crédito para inquilinos.

A Alpop espera entrar no mercado de compra e venda de imóveis populares no segundo semestre de 2022. “Há muito recursos nesse setor, mas que ainda exclui aquelas pessoas que têm dificuldade de comprovar uma renda ou que estejam com nome negativado. E é nesse nicho que continuaremos a atuar”, conclui Caio Belazzi.