Crédito: CIAB/Febraban

Os bancos digitais ou neobanks estão no panorama atual do consumidor de serviços financeiros e trouxeram uma concorrência positiva, com mais agilidade e taxas menores para os usuários. A opinião é consenso entre os participantes de painel do congresso de tecnologia bancária Ciab 2021 da Febraban, que contou com representantes do Next, do BTG+, do Banco Original e da Huawei.

Na abertura do congresso, no entanto, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, fez duras críticas às fintechs. Em seu discurso, ele afirmou que, enquanto o Brasil tinha a sua economia caindo 4%, “os bancos e não as fintechs deram às famílias e às empresas volumes inéditos de crédito”, frisou.

Segundo o presidente da Febraban, há uma lenda urbana com a percepção de que empresas de tecnologia que prestam serviços financeiros, as fintechs, são mais inovadoras. “Os bancos sempre estiveram à frente na indústria financeira, mesmo daqueles que hoje alardeiam serem os inventores da roda, da inovação e da modernidade. Somos bancos e somos muito tecnológicos”, ratificou.

Digitalização em todas as idades

Renato Ejnisman, CEO do Next, braço digital do Bradesco, comemorou a digitalização dos serviços financeiros e também citou a pandemia como responsável pelo crescimento em escala da experiência digital, ressaltando a convergência entre setores, como o financeiro e o varejo.  Ele afirmou que a aposta do Next, quando foi criado em 2017, era a geração millenium, mas hoje a realidade é outra.

“Fizemos uma parceria com a Disney apostando nos jovens, mas hoje com mais de 5 milhões de clientes, contamos com todas as faixas etárias, pela conveniência na experiência digital”, disse ao abrir o debate sobre a consolidação dos neobanks na era conectada.

Segundo Ejnisman, o Bradesco não descarta a possibilidade de abrir o Next para o mercado, num IPO futuro, ou mesmo buscar sócios investidores para o braço digital.

Raul Moreira, membro do Conselho de Administração do Banco Original e do PicPay, lembrou que vivemos um momento ímpar, em um processo evolutivo muito rápido embasado em três pilares. “A estrutura regulatória, que tem permitido e favorecido o surgimento de novos players, o avanço da tecnologia, e o novo consumidor que procura plataformas completas, que atendam a todas as suas necessidades”, completou.

Moreira concorda que, de forma geral, os consumidores têm optado por mais facilidades e a pirâmide dos usuários dos serviços financeiros digitais contempla todas as idades, mesmo as mais avançadas, e as várias faixas socioeconômicas. “O Brasil já atingiu maturidade para a digitalização, o que traz mais competição para os players”, afirmou.

Comportamento do Investidor

O diretor de transformação digital e de negócios de serviços financeiros da Huawei, Chen Kun Te, ressaltou a revolução do mobile nos serviços financeiros digitais, que acelerou o mercado aberto e os novos modelos de negócios que surgem e ainda estão por vir. “A China vive o estágio dos SuperApps, o que é de extrema importância para o empoderamento do consumidor”. Segundo Chen, a transformação é muito rápida e não se pode comparar o comportamento do investidor e do usuário de serviços financeiros na China, há sete anos, por exemplo, ainda com o funcionamento dos bancos tradicionais.

Rodrigo Cury, head do BTG+, também comentou o comportamento do investidor nos bancos digitais. Segundo ele, não há muita diferença de postura. “As carteiras nos bancos digitais são equilibradas, tanto para pequenos como para grandes investidores. Há aqueles mais conservadores, que optam por renda fixa, por exemplo, e os mais agressivos. Não há grande diferenciação”, analisou. Cury não acha que o presencial e o digital são modelos que competem, antes pelo contrário. “Eles são complementares e o foco deve ser no cliente e nas facilidades que a inovação tecnológica pode proporcionar”, concluiu.