Reunião discute estratégia de negócios para startup - Crédito: Freepik

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Há três anos, o jovem Tiago Ferreira Cavazin, junto com seu irmão Marcelo Ferreira Cavazin, criou um modelo de negócio inovador com o uso de criptomoedas. Moradores de Cacoal, município a 800 km de Porto Velho, capital de Rondônia, eles não esperavam que em tão pouco tempo iriam crescer tão rápido e alcançar 117 países.

“Imagina um jovem de Cacoal criar uma startup que utiliza criptomoeda e com isso ter contato com pessoas de fora do país. Um detalhe é que ele não tem passaporte, não viajou para fora de Cacoal, não viajou para fora de Rondônia e não fala inglês fluente”, contou o jovem de 31 anos, que é CEO da Fitcash, startup que atua como fintech no ramo esportivo.

A Fitcash é uma criptomoeda do ramo esportivo, que visa implementar meios de pagamento comuns, como compra de suplementos, equipamentos esportivos e, taxas de academias, tendo a Fitcash como moeda na transação de atletas, bem como de patrocínios.

A história da Fitcash (FTH) começa em 08 de janeiro de 2018, a partir de uma discussão iniciada em um grupo criado no WhatsApp, formado por cinco integrantes das cidades de Cacoal, Rolim de Moura e São Paulo, com base nos estudos voltados para a identificação de possíveis lacunas no mercado.

Notou-se a necessidade de preenchimento do setor esportivo, acreditando que os tokens Ethereum (ERC20) seriam o começo da rede ideal para a Fitcash devido à segurança e qualidade da rede.

Marcelo lembra que o contato com o empreendedorismo surgiu dentro da escola, ainda na adolescência, quando junto com o irmão não perdiam as feiras sobre o tema. Depois os dois seguiram para a graduação, ele como Administração e o irmão, Marcelo, na Contabilidade, cursos que tiveram que trancar temporariamente na Universidade Federal de Rondônia para se dedicar ao negócio promissor.

Do doutorado para o empreendedorismo

No Piauí, a trajetória da Bipp, startup que atua desde 2017 no agronegócio, também surgiu da experiência empreendedora do seu fundador. A ideia nasceu durante o doutorado do CEO da empresa, Marcus Linhares, que já tinha na bagagem longa experiência como consultor e mentor do Sebrae Like a Boss, que estimula o empreendedorismo inovador em todo o país.

“Como professor de empreendedorismo há 21 anos, sempre me incomodou muito ver grandes projetos de alunos terminarem apenas com uma escrita na prateleira de uma biblioteca. Então, quando eu terminei meu doutorado, além de defender uma tese, defendi o meu CNPJ”, declarou.

No ano passado 2020, durante a pandemia, Marcus apostou em uma nova oportunidade de negócio para a Bipp que se transformou em uma fintech, após período de incubação no Laboratório de Inovação Tecnológica e Financeira do Banco Central. Desde o começo deste ano, a startup começou a operar também como um meio de pagamento e a faturar a partir das transações dentro da plataforma entre produtores, cooperativas, agroindústrias.

Atualmente, a empresa já atua em 22 estados com o volume de transações em torno de R$ 1 milhão por mês. Ele acredita que a proximidade com o Sebrae tem contribuído para que o negócio se aproximasse dos parceiros certos e conquistasse cada vez mais o mercado.

Sustentabilidade e inovação

Em Vitória, no Espírito Santo, a startup “DestineJá” começou a dar os primeiros passos em 2016. A empresa que atua na área de gestão de resíduos já está presente em mais três estados brasileiros, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro e se prepara para atuar em São Paulo e Goiás a partir do próximo ano.

Com um rápido crescimento no mercado, a empresa tem a meta de alcançar 3 mil clientes até o ano de 2023 com a plataforma web de tecnologia em logística reversa.

O COO da empresa, Christian Sabino, destaca que o apoio do Sebrae surgiu desde o começo, quando existia apenas uma ideia inicial de negócio. “Eu e o meu sócio Ruan Guasti, atual CEO da startup, tínhamos acabado de sair do mercado tradicional de destinação de resíduos depois de uma longa carreira e o primeiro nome que nos veio à cabeça como uma agência de desenvolvimento que poderia nos ajudar foi o Sebrae”, lembrou.

No começo de 2019, a startup conseguiu seu primeiro investimento anjo, no valor de R$ 300 mil, um grande player do mercado ambiental. Os recursos foram investidos em tecnologia, máquina de vendas, estruturação de processos e crescimento. Durante a pandemia, os empresários identificaram oportunidades no segmento de saúde e reforçaram o crescimento junto ao setor industrial, atingindo um crescimento de 240% de faturamento em relação a 2019.

Arte e empreendimento

Em São Paulo, um grupo de jovens empreendedores lançaram a startup Eshows, que funciona como um marketplace para conectar bandas e artistas aos interessados em contratar atrações, seja uma festa particular, um evento corporativo ou um casamento.

Além de facilitar a contração, a empresa oferece um ambiente totalmente digital específico para os bares e restaurantes que permitem a gestão das contrações, inclusive com a possibilidade de pagamento. No primeiro ano de operação, em 2018, a empresa participou da Incubadora Sebrae e logo em seguida no Startup SP.

Com o fechamento de bares e restaurantes e o fim dos eventos, em função da pandemia, eles decidiram que iriam focar em se aproximar dos clientes que estavam em uma situação difícil. “Apostamos nesse contato e que assim que houvesse a possibilidade de reabertura, eles se lembrariam de nós”, declarou Octávio Brandão, CEO da Eshows.

E deu certo, Octávio revela que com o relaxamento das restrições da pandemia, a startup começou a crescer mês a mês em torno de 25%. “Focamos em melhorar nossos processos internos para redução de custos dos serviços para ambos os lados e atualmente estamos faturando quase quatro vezes mais do que no período normal”, comemora.

Atualmente, a startup tem mais de 3 mil artistas cadastrados e mais de 100 bares contratando ativamente, o que possibilita a transação de 2,6 mil shows por mês, com um movimento de negócios estimado em R$ 1,3 milhão. Com os negócios crescendo e com boas perspectivas para o final do ano, o CEO adianta que a empresa deve investir em tecnologia própria e se estruturar para participar de rodadas de investimentos na série A.

(com Agência Sebrae de Notícias)