Pilha de cifrões prateados - Crédito: Freepik

Crédito: Freepik

Os investimentos em startups em 2021 deram um salto quase triplo quando comparados com os números de 2020. Os aportes em empresas de tecnologia no Brasil totalizaram US$ 9,430 bilhões no ano passado, em 779 rodadas, ante US$ 3,550 bilhões em 563 deals em 2020. Os dados são do Report Retrospectiva 2021, da plataforma de inovação aberta Distrito.

Muitos dos fundos de venture capital que lideraram ou participaram dos maiores aportes em startups brasileiras no ano passado têm sede fora do país: SoftBank, Tiger Global Management, Tencent, Accel, Ribbit Capital e QED Investors são alguns deles. Desde 2018, essas casas de investimento começaram a prestar mais atenção na América Latina como um todo e descobriram no continente um terreno fértil para negócios disruptivos.

Outro movimento que seguiu firme ao longo de 2021 foi o das fusões e aquisições. Em 2021, 280 startups foram compradas no Brasil. Entre os fatores que contribuíram com esse crescimento está o amadurecimento dos produtos e serviços desenvolvidos pelas empresas, que conquistaram a confiança das grandes corporações nacionais. De acordo com o relatório do Distrito, as fintechs são as mais adquiridas por outras empresas ou mesmo por outras startups.

Venture capital

Os mega rounds, investimentos de ventures de pelo menos US$ 100 milhões, marcaram 2021. Foram 31 rodadas do tipo no último ano. As fintechs lideram o quadro dos mais investidos, com US$ 3,710 bilhões de captação, seguidos pelas retailtechs, com US$ 1,380 bilhão e real estate (imobiliária), com US$ 1,070 bilhão. O setor de real estate aparece bem colocado em função das startups que fogem do padrão das demais, como Loft e Quinto Andar, ambas entre as maiores captações do ano.

Os maiores investimentos de 2021 foram no Nubank, que captou US$ 1,150 bilhão (série G); seguido do Loft, com US$ 425 milhões (série D); Ebanx, com US$ 400 milhões (série C); QuintoAndar, com US$ 300 milhões (série E); e Facility, com US$ 250 milhões (série D).

O investimento early stage, que compreende anjo, pré-seed e seed, recebeu a menor fatia do bolo, em parte por se tratar de rodadas menores, mas também porque é uma faixa de investimento considerada de alto risco, visto que essas empresas ainda não possuem reconhecimento no mercado. Os chamados late stages, referentes às séries A em diante, concentraram a maior parte de todo o investimento venture capital no país. Esses rounds atraem mais investidores por se tratarem de empresas maiores, mais consolidadas e por haver mais possibilidades de saída do deal.

Fusões e Aquisições

Com um total de 247 operações de M&As identificadas em 2021, o ano registrou o maior número de operações deste tipo na história. Os setores de destaque quanto ao volume de fusões e aquisições representam mais de 70% do total de fusões e aquisições de 2021. Mais uma vez, o setor de fintechs segue em primeiro lugar, muito devido ao tamanho do próprio mercado de tecnologia financeira, consideravelmente maior que os outros. O aumento no volume de aquisições das edtechs e healthtechs representa uma provável expansão desses mercados nos próximos anos, segundo o relatório.

Unicórnios

O Brasil somou 10 unicórnios, startups que valem mais de US$ 1 bilhão, em 2021: o MadeiraMadeira, com aporte de US$ 190 milhões, liderado por SoftBank e Dynamo; C6, com aquisição de 40% da startup pela JP Morgan; Hotmart, aporte de R$ 735 milhões em rodada liderada pela TCV; Mercado Bitcoin, com aporte de US$ 200 milhões liderado pelo SoftBank; Unico, com aporte de R$ 625 milhões em rodada liderada pelos fundos General Atlantic e SoftBank; a Frete.com (ex-CargoX), com o aporte de US$ 220 milhões, liderado pelo SoftBank e Tencent; a CloudWalk, com aporte de US$ 150 milhões, liderado pelo fundo de private equity Coatue; a Merama, que recebeu US$ 60 milhões em uma rodada follow-on (continuação de aporte anterior de US$ 225 milhões), liderada pelo SoftBank e Advent; Olist, com aporte de Série E de R$ 1 bilhão, liderado pelo fundo de private equity Wellington Management; e, finalmente, a Facility, com aporte de US$ 135 milhões em Série D-1 (extensão de rodada anterior de US$ 250 milhões), liderado pelos fundos Goodwater e Prosus.