O e-commerce brasileiro cresceu 75% nesse ano e meio de pandemia. Somente em 2021 o crescimento foi de 15%. As startups em geral se mostraram resilientes e continuam em forte movimento de expansão mesmo com alguns mercados afetados pelo fechamento físico e o isolamento social por conta da crise sanitária global. As empresas que já tinham operações digitais cresceram exponencialmente, e as que não estava preparadas tiveram de se reinventar da noite para o dia.

“Quem se preparou antes pôde aproveitar a migração das transações do ambiente físico para digital, que hoje faz parte do nosso dia a dia. As tecnologias já existiam, a mudança de comportamento imposta pela pandemia acelerou o processo para que abraçássemos novas formas de relacionamento e de fazer transação”, analisou Flavio Pripas, investidor da Redpoint eventures e idealizador do Cubo Itaú ,que moderou o painel “Techs e e-commerce em expansão: a reinvenção na crise”, na tarde desta terça-feira, 23, no Ciab 2021.

Ele citou relatório da Distrito apontando que as startups brasileiras já receberam mais de US$ 3 bilhões de investimento em 2021, cifra que é quase o total que receberam em 2020. Até maio, foram mais de 260 aportes e há muita movimentação no ecossistema de inovação. Renata Zanuto, co-head do Cubo Itaú, afirmou que e o ecossistema de startups é o Brasil que deu certo e cresce independentemente da macro economia. Para ela, houve uma evolução do ecossistema e há um pool de startup muito maduras.

“O empreendedor brasileiro é de classe mundial. As relações entre startups e grandes empresas estão cada vez mais intensificadas, o que atrai o olhar de grandes investidores locais e globais. No Cubo, só em 2020, houve mais de R$ 1 bilhão de investimentos nas startups. Hoje são mais de 250 startups no Cubo e acompanhamos de perto esse amadurecimento e novas empresas surgindo”, diz Renata.

Já o BTG Pactual criou o boostLAB em 2018 como um ecossistema que gira em torno do BTG criando oportunidades para as startups e para as empresas com as quais se relacionam. Frederico Pompeu, sócio do BTG Pactual e head do boostLAB, observou que a ideia era que o banco ficasse perto do ecossistema de inovação e de empresas que crescem rapidamente, ajudando o empreendedor desde o início. “As taxas de juros muito baixas acabam estimulando os investidores a procurarem oportunidades que tragam retorno”, diz Pompeu.

A AWS, que fornece infraestrutura para boa parte das startups, acaba acompanhando de perto o crescimento das empresas. Fred Santoro, head de Startups da Amazon Web Services Brasil, diz que a pandemia  não só acelerou a transformação como gerou novos produtos e propiciou a chegada de novas startups na bolsa como a Melius e a Enjoei.

“Isso mostra como os investidores estão buscando oportunidades em startups. Outro ponto é o crescimento de M&A. No ano passado foram 174 fusões e aquisições entre grandes corporações e startups segundo o Distrito. As empresas estão buscado atender melhor e serem mais ágeis com o apoio das staturps para que seus projetos de inovação sejam realizados de forma mais eficiente e com menos riscos. A nuvem permite isso e temos na AWS o Programa Conect para aproximar startups de grandes empresas”, afirmou  Santoro.

A MadeiraMadeira é o 16º unicórnio brasileiro e tem empreendido um movimento de aquisições para acelerar seu crescimento. A empresa foi beneficiada pelo comportamento do consumidor que, estando mais em casa, passou a transformar sua casa num ambiente mais agradável impulsionando o e-commerce de home center e móveis.

“A MadeiraMadeira já estava preparada para um movimento desses pois já nasceu no e-commerce que tem a sazonalidade da Black Friday. Isso exige que a gente se prepare o ano inteiro para duas semanas de pico muito grande. Quando veio a pandemia, ficou tudo mais fácil. Não tivemos problema com o site nem com aumento de escala. E continuamos buscado empresas que possam fortalecer nosso ecossistema”, sinalizou Felipe Toazza Caldeira, vice-presidente de tecnologia na MadeiraMadeira.