Após debutar em Londres, fitinsur vai conquistar Brasil - Crédito divulgação

Erika Chou, diretora de marketing e relacionamento; Denise Oliveira, CEO, e Carlos Oliveira, diretor Técnico. – Crédito divulgação

Estruturada em menos de um ano e colocada em operação em plena pandemia, a insurtech fitinsur conquistou o primeiro contrato global logo na estreia, após participar de uma RFP internacional de uma das maiores corretoras de Londres, quando ainda iniciava os preparativos para se lançar no mercado de seguros. Crida com recursos próprios, a empresa vem chamando atenção de fundos e investidores.

A empresa é fruto da decisão de Denise Oliveira, fundadora e CEO, de deixar a bem-sucedida carreira no mundo corporativo de grandes seguradoras como a AIG para empreender e alcançar uma maior liberdade. “Eu já vinha de uma escalada de carreira finalizado como head de Tecnologia da Informação da AIG, mas percebi que, apesar de financeiramente ser muito confortável, o mundo corporativo me exigia muito e tirava muito de minha essência. Na minha primeira promoção, eu fui orientada a como me vestir e que tipo de marca de roupa e bolsa comprar. Eu tinha de estar muito numa caixa para estar ali. Foi um processo longo de três anos período em que comecei a idealizar a empresa e a codificar a plataforma”, conta Denise.

Fundada em dezembro de 2019, a fitinsur conta ainda como fundadores, além de Denise, CEO, com Erika Chou, diretora de marketing e relacionamento, e Carlos Oliveira, diretor Técnico. A empresa foi a primeira startup categorizada como ‘Insurtech as a Service’ da América Latina. A startup permite que empresas de quaisquer segmentos tenham todas as capacidades necessárias para que se tornem uma insurtech na nuvem, um movimento similar ao que empresas de infraestrutura iniciaram anos atrás.

Os três sócios trouxeram a expertise e o relacionamento de anos nos mercados financeiro, de seguros e de tecnologia. Isso fez com que, já em março de 2021, a insurtech conquistasse o primeiro contrato após ter participado – em outubro de 2019, antes mesmo de ter o CNPJ -, de uma RFP global para implantação de uma plataforma completa para a corretora da Texel Finance. A corretora é especializada em seguros de crédito baseada em Londres (ENG), com filiais nos EUA, Ásia e na Bélgica.

“Em  março, estávamos assinando contrato e nos preparando para irmos para Londres, quando a cidade entrou em lockdown. Pensamos que a empresa ia quebrar. Fizemos toda a construção da plataforma durante a pandemia com investimentos próprios. Mas deu tudo super certo, passamos a fazer o processamento do seguro de crédito de empréstimos na plataforma para a Texel Finance”, diz Denise.

Ela destaca quem em Londres o corretor é o representante da seguradora de ponta a ponta. Além de apresentar a cotação, processa todo o clausulado da apólice e do contrato, faz a cobrança e paga a seguradora. A Texel comprou a solução completa e a plataforma faz a cotação do seguro, o processamento de emissão do contrato, a cobrança de todos os valores envolvidos na operação e a sua distribuição.

“Fizemos para a Texel a parametrização de cerca de 13 desses processos, e mais de sete tipos de endossos. No Brasil, a seguradora cobra e paga à corretora. Nossa plataforma está preparada para os dois modelos”, diz Denise.

Embora também atue com seguros para o mercado de pessoa física – responsabilidade civil profissional, seguro de vida, previdência, seguro de transporte -, a empresa tem preferência por seguros de linhas comerciais, como obras de infraestrutura.

“Montamos a fitinsur com o propósito de democratizar o acesso à tecnologia, atendendo desde corretores muito pequenos até seguradoras internacionais que, por meio de suas corretoras e assessorias, já estão embarcadas na plataforma. O objetivo é romper a barreira tecnológica com diversos atores conectados e nem todos precisam ter a licença. Isso nos dá bastante capilaridade”, destaca Denise.

Ela explica que a plataforma se assemelha mais a um core de investimento bancário do que a um processamento de seguro. Em Londres, a empresa já está simulando, inclusive, oferta de crédito pela plataforma. Por uma questão de estratégia, a insurtech começou com os produtos de seguros de linhas comerciais.

A plataforma foi submetida ao rigoroso critério de certificação do Lloyd’s of London, o maior marketplace de seguros e resseguros do mundo, que tem sindicatos associados. Isso porque estão conectadas na plataforma 65 seguradoras e 85 clientes da Texel, entre grandes bancos internacionais de crédito com transações 100% digitais, o que necessitará de muita agilidade, já que o volume de negócios é extremamente complexo. “Isso nos abre portas na porque a Texel opera também na Bélgica, em Cingapura e em Nova York”, ressalta Denise..

Além dessa operação internacional, a fitinsur atua localmente em empresas de assessorias de seguros, corretores, seguradoras e portais de vendas de seguros de nicho. O foco agora é aproveitar as oportunidades que serão abertas com o Open Insurance, que vai levar o mercado brasileiro de seguros a uma nova fase de desenvolvimento por conta da tecnologia e de novos players.

“Temos operações B2B e B2B2C. Esse é o grande diferencial da fitinsur, temos um grande respeito pelos corretores, que podem ser conectar diretamente. Também conectamos assessorias como a Hub e a Repgen, cada uma com 2,5 mil corretores conectados, e corretoras como AIO, PVA e Texel”, elenca Denise.

Com a operação internacional estabilizada, a fitinsur está fazendo o incremento (ramp) da operação nacional.

“Temos plano para o Brasil de usar toda essa escala que construímos em dois anos. A plataforma tem uma curva de implantação de oito semanas, o que é raro. Temos vários standards processuais que adaptamos a cada cliente. Mas mesmo que necessite de alguma customização a plataforma tem um poder de escala fora da curva”, conclui Denise.