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Dionice Almeida, CEO da NV Seguros         Foto: Divulgação

Os ataques cibernéticos têm tirado o sono de muitas empresas brasileiras ao longo de 2021. Considerado o quinto maior alvo global, o Brasil já registrou 9,1 milhões de ocorrências, apenas de ransomware, no primeiro semestre deste ano, ultrapassando o volume total de 2020, segundo o estudo da consultoria alemã Roland Berger.

Cada vez mais sofisticados, esses ataques restringem o acesso ao sistema infectado e os criminosos cobram resgate em criptomoedas para que as empresas retomem suas atividades. Isso significa que as empresas serão obrigadas a gastar cada vez mais para se proteger de pedidos de resgate.

Cerca de 80% das causas de sinistro de ciberataques são de ransomware e o tratamento do resgate é o último procedimento que a seguradora cogita oferecer ao cliente, conforme Dionice Almeida, CEO da NV Seguros, empresa especializada em seguros e riscos cibernéticos.

“Não apoiamos o pagamento do resgate até que o risco do negócio esteja muito comprometido, chegando a paralisar a operação, pois o sequestrador é um criminoso e temos de saber como lidar com ele. E todo esse suporte a seguradora tem para oferecer”, diz Almeida.

Baixo grau de maturidade

Atualmente, as operadoras de seguro cibernético estão bem criteriosas para implementar segurança nas empresas. Em 2021, cerca de 30% dos questionários aplicados para fechar propostas apontaram um baixo grau de maturidade das organizações em relação a importância do seguro para sua operação, segundo a CEO da NV Seguros, que foi ex-polícia civil.

“Ao responder o questionário  muitas vezes as empresas se comprometem a investir em mecanismos de segurança, mas não fazem. Em função disso, as seguradoras passaram a avaliar o ano anterior das empresas para checar se as iniciativas acordadas em contrato com a seguradora foram de fato implementadas.”

Segundo ela, organizações de grande porte, inclusive na área de tecnologia, ainda não têm ferramentas antivírus. “Nosso Brasil é culturalmente falando muito fraco em segurança. Nossas empresas não estão preparadas para todo esse processo de digitalização.”

Contrato de boa fé

Em se tratando de segurança, na sua opinião, as empresas devem considerar a implementação de três itens essenciais: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a segurança da tecnologia e da informação. “A maioria das empresas, no entanto, confunde o seguro com a LGPD e o fato de só se adequar à lei não as deixa protegidas de ataques, como pensam muitos executivos.”

Trazido pela maior seguradora americana AIG, o seguro cibernético existe no país desde 2012, bem antes da LGPD entrar em vigor, em setembro de 2020. Ele cobre questões de sanções, multas e regulatório da LGPD também.

Almeida alerta para a necessidade de as empresas fazerem logo um seguro, pois há muitos ataques que ocorrem sem que elas sequer percebam. Isso tem feito com que algumas seguradoras recusem contratos.

Foco na pequena empresa

A NV Seguros desenvolveu um produto digital único no Brasil voltado para pequena empresa em parceria com a suíça Zurich Seguros. Para escalar o produto, foi firmado um contrato com a Rede Lojacorr, corretora de seguros e consórcio, que conta com 1.800 mil corretores autônomos.

“A NV funciona como um hub e cuida do processo de venda da Rede Lojacorr, prestando atendimento aos seus corretores”, observa Almeida.

Voltada às empresas pequenas que faturam de R$ 100 mil até R$ 40 milhões ano, a solução é baseada em uma tabela com várias atividades de riscos já aceitas, a partir de um requisito mínimo de maturidade de risco. A partir de o pagamento de um fee anual de R$ 1.600, as empresas podem ter acesso ao seguro cibernético parcelado em seis vezes sem juros, com R$ 100 mil de cobertura.