Eduardo Carone, CEO e fundador da Atlas, e Sara Caballero, diretora internacional                        Foto: Ricardo MatsukawaA Atlas Governance Tecnologia, plataforma de governança corporativa, fechará em setembro uma nova rodada para captar US$ 5 milhões, que serão financiados por fundos de Venture Capital estrangeiros e brasileiros. O aporte será destinado à expansão de sua operação internacional e ao desenvolvimento de novos produtos para ampliar sua participação na governança do mercado financeiro.

Com total domínio do mercado de governança, a meta da empresa agora será investir o recurso também no aprimoramento em sustentabilidade e meio ambiente para se tornar referência em ESG na América Latina.

“Independente do formato da organização, a governança é uma demanda de mercado atualmente, e torná-la segura, digital e simples de ser usada passou a ser essencial”, afirma Eduardo Carone, CEO e fundador da Atlas Governance.

O mercado de governança corporativa movimenta atualmente cerca de US$ 21,72 bilhões no mundo e a expectativa é que esse valor chegue próximo a US$ 58 bilhões em 2026, conforme o relatório Risco Governança Corporativa Compliance, desenvolvido pela Fortune Business Insights.

“No Brasil, esse mercado representa apenas US$ 1 bilhão ao ano, o que mostra o potencial de crescimento. Cerca de 1 milhão de pessoas que tomam decisões nas empresas na América Latina querem ser um agente em aspectos sociais. A governança é meio e não fim”, observa Carone.

Atlas no país

A operação brasileira da Atlas vem crescendo em média 10% ao mês, desde sua criação em 2018. Os players internacionais, como a Diligent e Boardvangage, considerados seus principais concorrentes, não foram obstáculo para a empresa crescer nos últimos três anos.

Atualmente , com mais de 270 clientes e receita de R$ 10 milhões, a instituição espera fechar o ano com 400 novos clientes chegando a uma receita anual de R$ 15 milhões. Para 2022, estimativa será atender o total de 1.200 clientes e faturar R$ 45 milhões.

O portal de governança, principal produto da empresa, criado a partir de um software próprio, é utilizado por Conselhos de Administração e demais colegiados de organizações de médio e grande porte de diversos segmentos.

A solução atende dois ciclos do processo de governança: o decisório, voltado para preparação da reunião, como criação da pauta com todos os tópicos e anexos, deliberações entre outros; e o de execução, onde tudo que foi decidido, seja uma ação ou um projeto, é atribuído a um responsável que deverá prestar conta do fluxo da realização da tarefa no software, o que traz transparência para todos.

Cibersegurança

Hospedada no Microsoft Azure, a plataforma conta com mais de 9 mil usuários hoje. O uso intensivo de tecnologia, especialmente inteligência artificial, para oferecer melhor usabilidade da plataforma e ferramentas de cibersegurança são consideradas por Carone os principais diferenciais competitivos do portal em relação às soluções apresentadas pela concorrência.

“O perfil do Conselheiro de Administração das empresas no país hoje é de homem branco, com idade média de 55 anos e pouca desenvoltura em lidar com a tecnologia, segundo mapeou o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Nossas soluções estão inclusive preparadas para atender o processo de renovação dos Conselheiros”, afirma.

Na sua opinião, um dos grandes problemas públicos sobre o descuido da governança são os constantes vazamentos de dados, que se aumentaram com a pandemia. “A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) teve impacto na gestão da governança corporativa. Porém, as empresas têm se limitado a contratar advogados para checar a documentação legal e deixam de lado a cibersegurança, que é um problema técnico”, diz.

Internacionalização

A Atlas já passou por três rodadas de investimento. A mais recente, concluída em dezembro de 2020, foi um misto entre venture debt (R$ 1,5 milhão, aportados pela Riza Capital) e equity (R$ 4,1 milhões, aportados pelos mesmos investidores dentre eles Leonardo Pereira (ex presidente da CVM) e Paulo Camargo (CEO do McDonalds no Brasil).

A expectativa da empresa é que a operação latinoamericana responda por 50% da receita, até o final de 2022. De acordo com Sara Caballero Linãn, diretora de expansão internacional da instituição, os cinco países foram escolhidos com base em indicadores como o PIB, além do nível de maturidade em governança. “As dores dos clientes lá fora são as mesmas que no Brasil, como a necessidade de automatizar processos e centralização das informações”, conclui.