João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central

João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central – Crédito: Divulgação

O Banco Central atendeu às solicitações dos bancos para flexibilizar as regras e os limites de transações do Pix e anunciou na tarde desta sexta-feira, 27, novas regras para transações em meios eletrônicos em geral, que ainda não têm data definida para serem implementadas.

Depois do lançamento do novo meio de pagamento, bandidos têm tirado vantagem da facilidade e da rapidez do Pix para aplicar golpes ou para pedir que a vítima transfira grandes quantias rapidamente durante roubos ou sequestros, utilizando contas de laranjas para receber e distribuir o dinheiro, dificultando a rastreabilidade.

As medidas anunciadas, no entanto, não se restringem ao Pix, mas a todas as transações efetuadas por meio eletrônico, como Doc, Ted e transações intrabancárias.

As instituições financeiras e os demais participantes do Pix terão, em princípio, algumas semanas para se adequar às novas regras. Bloqueio de horários para transferências e limitação de valores estão entre as ações que o BC decidiu apresentar para melhorar a segurança das transações.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, João Manoel Pinho de Mello, e de Fiscalização, Paulo Souza, participaram de entrevista coletiva para explicarem as principais alterações definidas pela autoridade monetária.

João Manoel Pinho de Mello afirmou que o Banco Central está atento às tentativas de crimes e golpes. Lembrou que o aumento do uso de meios de pagamento eletrônicos, em função da pandemia, foi extremamente positivo, mas às vezes tem efeitos colaterais. “O BC monitora constantemente o desenvolvimento dos meios de pagamento sobre sua responsabilidade e fará intervenções quando necessário. Faremos, hoje, algumas mudanças visando coibir fraudes e crimes”, pontuou Pinho de Mello.

Segundo o diretor, desde que o Pix foi lançado, em novembro do ano passado, até agora, a média de transações identificadas como suspeitas é de 1 a cada 100 mil. Em março, foram 2 notificações para cada 100 mil transações e, em agosto, esse percentual diminuiu para 0,5 transação a cada 100 mil. Um número ainda considerável, já que o Pix recentemente bateu recorde de 40 milhões de operações em um único dia, conforme números do BC.

Ainda de acordo com Pinho de Mello, a imensa maioria das suspeitas de crimes e/ou fraudes envolve transferência entre pessoas físicas. “É impossível garantir que não haja mais crimes. O objetivo do Banco Central é diminuir ao máximo essa possibilidade. Cabe aqui um esforço conjunto do Banco, das instituições financeiras, dos participantes do Pix e das forças policiais”, afirmou o diretor do BC.