Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central- Crédito Flickr BC

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central – Foto: José Cruz/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira, 30, que a autoridade monetária não acredita na necessidade de fazer nenhum ajuste no arcabouço de política monetária. “Vamos continuar perseguindo a meta como tem sido feito. Em relação ao ritmo da política monetária, explicitamos que a Selic terminal é mais importante que o ritmo em si”, afirmou em entrevista coletiva sobre o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Campos Neto, no entanto, ao ser questionado a respeito de mais detalhes sobre o patamar “significativamente contracionista” que o Comitê de Política Monetária (Copom) pretende adotar para a taxa básica, afirmou que “a gente não tem como elaborar qual seria a Selic final”.

O presidente do BC afirmou que a demanda por dólares no fim do ano causada especificamente pelas mudanças no overhedge é de US$ 17,4 bilhões, na estimativa da autoridade monetária. “Entendemos que é um volume bastante grande e fazem com que as compras fiquem muito concentradas no fim do ano”.

“É importante atuar nesse sentido”, disse. Nesse sentido, Campos Neto defendeu a decisão de o BC atuar antes do fim do ano, “porque nos dá maior grau de liberdade e atenua a volatilidade”.

Ele reiterou o princípio de separação entre as políticas monetária e cambial e disse que “o câmbio espelha o que os agentes econômicos entendem que são as fragilidades do país no momento, e uma delas é o fiscal”.

O presidente do Banco Central afirmou que as commodities metálicas têm apresentado desaceleração em alguns países, principalmente na Ásia. “Na China, além disso, tem um problema na construção civil que diminui ainda mais essa demanda. O tema da inflação verde também tem deslocado alguns preços. As commodities estão seguindo trajetórias diferentes. Para o Brasil ainda têm impacto de alta da inflação, mas riscos são para dois lados”, disse.

Roberto Campos Neto considerou que há surpresa positiva em termos fiscais. Ele reconheceu, porém, que as discussões sobre uma nova rodada do auxílio emergencial geraram alguma apreensão no mercado nas últimas semanas.

“Tem um tema dos ruídos fiscais na ponta, com mais volatilidade pelas notícias relacionadas ao auxílio emergencial e ao Bolsa Família. O BC não comenta esses aspectos fiscais, mas entendemos que isso tem gerado alguma apreensão nas últimas semanas. Quando for virada essa página, teremos caminho melhor pela frente”, completou Campos Neto.