Banco mundial apoia o combate à corrupção - Crédito: Divulgação

William Maloney, economista chefe para América Latina e Caribe do Banco Mundial Crédito: Divulgação

A informação pública sobre propriedades e posses dos funcionários públicos é uma ferramenta crucial para a produção da transparência e o combate à corrupção, algo que o Banco Mundial leva muito a sério, afirmou William F. Maloney, economista chefe para América Latina e Caribe do Banco Mundial, durante coletiva virtual de imprensa do Banco Mundial, que reuniu hoje 100 jornalistas internacionais.

“Trata-se de uma agenda de extrema importância para nós e vamos acompanhá-la de forma enérgica”, disse Maloney, ao ser questionado sobre o impacto do relatório do Pandora Paper, que descobriu que pelo menos 92 políticos ou altos funcionários de governos de países da América Latina criaram empresas offshore em “paraísos fiscais” para ocultarem seus patrimônios.

O ministro da economia Paulo Guedes e o presidente do Banco Central Roberto Campos Neto estão envolvidos nesse processo.

O Banco Mundial, segundo ele, apoia a transparência no sistema tributário promovendo intercâmbio de informações entre instituições, melhorando a cooperação internacional sobre ações de indivíduos e instituições nas quais as pessoas depositam sua confiança.

A boa notícia, segundo Maloney, é que com um ritmo mais acelerado de vacinação e menos mortes devido à Covid-19, a região ALC aos poucos está saindo da crise e voltando a crescer.

“Mesmo assim, apesar de novos setores emergentes, a recuperação está aquém do esperado. A projeção regional de 6,6% de crescimento para 2021, o que é insuficiente para reverter a queda de 6,7% de 2020.”

Vacinação como prioridade

Na sua opinião, o foco na vacinação é totalmente apropriado e precisa ser expandido o mais rapidamente possível. “Quase 50% da população já recebeu  uma dose, embora exista uma grande variação entre países: alguns com índice de vacinação de quase 75%, como o Chile e Equador, e outros nem sequer chegaram a 30%, México.

O Banco Mundial tem um programa de mais de US$ 20 milhões para comprar vacinas e estabelecer sistemas de distribuição. O banco vem apoiando 24 países com, aproximadamente, US$ 10 bilhões para responder a emergência de saúde.

Por outro lado, os custos sociais da pandemia foram devastadores, conforme atesta o Banco Mundial no relatório #Perspectiva ALC. O emprego caiu 20% e ainda não recuperou seus níveis anteriores.

“Com exceção do Brasil, a pobreza aumentou nos níveis mais altos da última década em todos os países da região. Em todas as partes, os jovens perderam mais de um ano de educação que no longo prazo vai custar em mobilidade social e produtividade. Precisamos ter ritmos de crescimentos acima do previsto da década passada para ajudar a aceleração do desenvolvimento social e econômico.”

No nível internacional, segundo mostra o relatório, as previsões inflacionárias mundiais podem levar a um aumento das taxas de juros dificultando ainda mais que a região consiga financiar seus mercados internacionais. Assim como o destino das principais economias do mundo pode nos afetar.

“É possível realizar algumas iniciativas dentro de um contexto de impostos fiscais reduzidos. Os governos têm uma oportunidade histórica de enviar esforços para utilizar seus recursos mais efetivamente para promover uma agenda de reformas em áreas como infraestrutura, educação, política energética”, destacou.

O economista chefe do Banco Mundial sugeriu a melhor utilização dos gastos públicos, como a redução da ineficiência nos processos de compras públicas e certas transferências, que podem reduzir quase 4% do PIB no total.

Além disso, incentivou realocar recursos para projetos com mais alto retorno social, como diminuir o custo do subsídio energético promovendo programas somente voltado para as populações mais vulneráveis.