Banco Mundial prevê queda no PIB global e cita estagflação - Crédito: Freepik

Crédito: Freepik

O Banco Mundial divulgou nesta terça-feira, 7, sua previsão de crescimento global reduzida para 2,9% em 2022, ante 4,1% previstos em janeiro, e alertou que a invasão da Ucrânia pela Rússia agravou os danos da pandemia de Covid-19, o que fará com que muitos países provavelmente entrem em recessão.

A invasão russa da Ucrânia ampliou a desaceleração da economia global, que está agora entrando no que pode se tornar “um período prolongado de crescimento fraco e inflação elevada”, disse o Banco Mundial em seu relatório Perspectivas Econômicas Globais.

“O perigo de estagflação é considerável hoje”, escreveu o presidente do Banco Mundial, David Malpass, no prefácio do relatório. “O crescimento moderado provavelmente persistirá ao longo da década por causa do fraco investimento na maior parte do mundo. Com a inflação agora atingindo máximas em várias décadas em muitos países e a oferta devendo crescer lentamente, existe o risco de que a inflação permaneça mais pressionada por mais tempo.”

Entre 2021 e 2024, o crescimento global deverá desacelerar em 2,7 pontos percentuais, disse Malpass, mais que o dobro da desaceleração observada entre 1976 e 1979.

O relatório compara o contexto atual com o quadro observado na década de 1970, com desequilíbrios de oferta, perspectivas de aperto monetário e perspectivas negativas para a atividade econômica. Por outro lado, a entidade internacional considera que o avanço dos preços de commodities é mais contido que naquela época, instituições financeiras estão mais sólidas e os bancos centrais têm mandato mais claro pela estabilidade de preços.

O documento lembrou que as elevações das taxas de juros necessárias para controlar a inflação no fim da década de 1970 foram tão acentuadas que desencadearam uma recessão global em 1982 e uma série de crises financeiras em mercados emergentes e economias em desenvolvimento.

“Embora existam semelhanças com as condições da época, também há diferenças importantes, incluindo a força do dólar norte-americano e preços do petróleo de forma geral mais baixos, bem como balanços geralmente fortes nas principais instituições financeiras”, ressalta o Banco Mundial.

A instituição acredita que a inflação deve moderar no ano que vem, mas ainda acima das metas dos bancos centrais. O documento adverte que o cenário inflacionário pode causar uma acentuada desaceleração da economia global e, como consequência, deflagrar crises financeiras em mercados emergentes.

O relatório defende a importância de medidas globais e nacionais para mitigar as consequências econômicas do conflito entre Rússia e Ucrânia. Para o Banco, serão necessárias ações para limitar o impacto nos grupos mais vulneráveis, atenuar os efeitos da escalada de preços de petróleo e alimentos, aumentar alívio de dívidas e expandir a vacinação global contra o coronavírus.

De acordo com o documento, o crescimento nas economias avançadas deve desacelerar acentuadamente para 2,6% em 2022 e 2,2% em 2023, após 5,1% em 2021. Já os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento devem ter expansão de 3,4% em 2022, abaixo da taxa de 6,6% de 2021 e bastante aquém da média anual de 4,8% observada entre 2011 e 2019.

Espera-se que a economia regional da Europa e da Ásia Central contraia 2,9%, após crescimento de 6,5% em 2021, recuperando-se ligeiramente para um aumento de 1,5% em 2023. A Ucrânia deve registrar um mergulho de 45,1% em sua produção econômica, enquanto o PIB da Rússia deve despencar 8,9%.

Na América Latina e Caribe, a expectativa é de que a atividade econômica deslize para um crescimento de apenas 2,5% neste ano e desacelere ainda mais para 1,9% em 2023, disse o banco.

O Oriente Médio e o Norte da África se beneficiariam do aumento dos preços do petróleo, com crescimento de 5,3% em 2022, antes de um enfraquecimento para 3,6% em 2023, enquanto o sul da Ásia veria alta de 6,8% neste ano e de 5,8% em 2023. A previsão é que o crescimento da África Subsaariana desacelere um pouco para 3,7% em 2022, de 4,2% em 2021.

(com Agência Reuters)