BC americano eleva juros, maior alta em 28 anos-credito-freepick.jpg

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O BC americano, Federal Reserve (Fed) anunciou elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos em 0,75 ponto percentual, considerada a maior alta desde 1994. O objetivo da decisão é reter a inflação, que enfrenta o maior patamar dos últimos 40 anos nos EUA. Com a alta, a taxa básica de juros do país vai oscilar entre 1,5% e 1,75% ao ano.

Além disso, o BC americano informou em comunicado que manterá o ritmo de aumento dos juros ao longo de 2022, o que gera receio de que a maior economia do muno entre em recessão. O comitê dará continuidade também à  redução nas participações em títulos do Tesouro e dívida de agências e títulos lastreados em hipotecas de agências, de acordo com os Planos para Redução do Tamanho do Balanço do Federal Reserve, emitidos em maio.

O presidente do Fed, Jerome Powell, e os demais membros do comitê de política monetária do BC americano (Fomc, na sigla em inglês) afirmaram ainda que as taxas vão subir a 3,4% ao ano até dezembro.

As expectativas pioraram na última semana após a divulgação dos dados de inflação acima do esperado na sexta-feira, 10.

A inflação na base anual atingiu o patamar de 8,6%, um pouco acima dos 8,3% previstos e dos 8,3% anteriores. Se antes, o mercado aguardava por um aumento de 0,5 p.p., os investidores reavaliaram as estimativas para uma meta máxima de 1,5%-1,75%, chegando ao maior aumento dos Fed Funs em 28 anos.

Além disso, o núcleo do IPC acumulou alta anual de 6%, abaixo do resultado prévio revisado de 6,2%. O núcleo do IPC exclui preços voláteis, como commodities e alimentos.

O comunicado da reunião desta quarta-feira indicou ainda que o Fed está pronto para múltiplas altas de 0,50 p.p. Para analistas, a decisão foi acertada, pois caso elevasse os juros apenas meio ponto percentual, o Fed não demonstraria comprometimento total com o controle da inflação americana. É muito provável que ocorra novamente um aumento de 0,75 p.p.

A inflação ocorre por pressão nos custos por quebra de oferta, ocasionada pela guerra. Na opinião de especialistas de mercado, os EUA demoraram muito para agir e agora está correndo atrás do prejuízo. Os impactos na bolsa de valores ainda são incertos.

André Perfeito, economista-chefe da Necton, afirma que com uma alta mais forte nos EUA e com o real relativamente sob controle, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central Brasileiro deve manter a trajetória de 50 pontos e parar o ciclo de aperto monetário. “Afinal, o Fed está fazendo o ‘trabalho sujo’ de controlar a inflação”, completa.

(Com agências internacionais)