Sede do Banco Central, em Brasília - Crédito: Flickr BC

Sede do Banco Central, em Brasília – Crédito: Flickr BC

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 30, o Relatório Trimestral de Inflação, com aumento de sua projeção de crescimento econômico para 2022, de 2,1%, ajustando ligeiramente a perspectiva de alta neste ano a 4,7%, ante 4,6% estimado em junho.

O BC justificou que a revisão para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) para 2021 é em função do resultado do segundo trimestre ligeiramente acima do esperado e pequena redução da projeção do crescimento no terceiro trimestre.

Já sobre 2022, o BC afirmou que a expectativa é que haja ao longo do ano ritmo de crescimento menor do que no segundo semestre de 2021.

“O hiato do produto em patamar menos negativo, que reduz o espaço para a recuperação cíclica, e o movimento de aperto monetário ora em curso, cujos efeitos ocorrem de maneira defasada, são fatores que contribuem para a desaceleração da taxa de crescimento”, diz o relatório.

O relatório destaca que o cenário básico, tanto para 2021 quanto para 2022, supõe a continuidade do arrefecimento da pandemia, a diminuição dos níveis de incerteza econômica ao longo do tempo e a manutenção do regime fiscal. Já inclui também os preços mais elevados da energia elétrica em razão da crise hídrica corrente, mas não contempla cenário de restrições diretas ao consumo de eletricidade.

Em relação à política monetária, o BC reiterou mensagem da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a intenção de subir a Selic novamente em 1 ponto na reunião de outubro, mirando levar a taxa básica de juros para território contracionista para conter a inflação.

No âmbito da produção, houve aumento na previsão de crescimento para o setor de serviços e redução para os demais. A revisão para o setor terciário, de 3,8% para 4,7%, foi influenciada, de acordo com o BC, por resultados melhores do que esperados no segundo trimestre, em especial em serviços de informação e outros serviços.

“A despeito da surpresa positiva no segundo trimestre, o segmento de outros serviços, que engloba atividades mais fortemente dependentes de interações presenciais – como alojamento e alimentação e atividades artísticas e culturais –, ainda se encontra em patamar deprimido e deve continuar apresentando crescimento expressivo ao longo dos próximos trimestres, influenciado pela recuperação da mobilidade associada ao progresso da campanha de vacinação”, afirma o relatório.

Transações correntes

O Banco Central revisou sua expectativa para as transações correntes do país em 2021 de um superávit de US$ 3 bilhões para um déficit de US$ 21 bilhões (1,3% do PIB).

“A revisão reflete em grande medida a expectativa de menor saldo da balança comercial, com aumento das importações”, diz o BC. A projeção de superávit comercial foi revisada de US$ 70 bilhões para US$ 43 bilhões.

“O aumento de preço de bens intermediários, em parte relacionado aos impactos globais da pandemia, aliado à rápida recuperação nas compras internacionais da indústria brasileira, foi fator determinante para o aumento na projeção das importações.”

Segundo o BC, houve aumento expressivo da importação de combustíveis nos últimos meses, simultaneamente à elevação dos preços internacionais desses produtos. No atual cenário de escassez hídrica, o BC espera que essa demanda continue elevada até o fim de 2021.

A projeção de importações no ano foi revisada de US$ 210 bilhões para US$ 239 bilhões.

Quanto aos Investimentos Diretos no País (IDP), o BC ajustou sua estimativa para US$ 55 bilhões em 2021, sobre US$ 60 bilhões no relatório anterior, patamar que deve subir para US$ 60 bilhões em 2022.