Curt Zimmermann, CEO do Bitz-Crédito: Divulgação

Curt Zimmermann, CEO do Bitz                                                    Crédito: Divulgação

O Bitz, carteira digital do Bradesco para bancarizar as pessoas  e integrar serviços, em menos de um ano alcançou 1,38 milhão de clientes e espera chegar 2 milhões, até o final de 2021. A importância do grupo, a interoperabilidade com o Pix e o amplo portfólio de serviços têm sido os principais alavancadores de seu sucesso.

Embora pertença 100% ao Bradesco, a fintech foi concebida para funcionar de forma independente, com critérios de governança próprios.  “Temos uma forte intenção de fazer um IPO no futuro. É muito provável que sigamos o mesmo caminho do PicPay”, afirma Curt Zimmerman, CEO do Bitz. O executivo ingressou no Bradesco há cinco anos, após a venda do HSBC onde atuou como COO.

A integração com o ecossistema do Bradesco tem sido um dos diferenciais da carteira, lançada em setembro do ano passado, para capturar clientes. Ela oferece soluções da financeira Losango, banco comprado pelo Bradesco em 2016 junto com as operações brasileiras do HSBC Brasil; da empresa de pedágio eletrônico Veloe; do ShopFácil e da Alelo, de vale-refeição e alimentação.

“Mesmo sendo um cartão pré-pago, se não fossem as parcerias de peso do Bradesco, os usuários da carteira não conseguiriam fazer compras online nos principais sites de e-commerce do país”, observa Zimmermann.

O modelo de parcerias tem agregado tanto valor ao negócio que a meta agora do Bitz para cada trimestre, segundo ele, será lançar duas a três novas parcerias. “Isso tem sido pedido pelo cliente e, também, será uma forma de rentabilizar o próprio Bitz. Tanto que trouxemos pessoas especializadas nesse business para nos apoiar com essa estratégia.”

Pix como diferencial

A interoperabilidade com o Pix também é outro ponto de destaque da carteira, que tem se tornado bastante competitiva com as transações mensais crescendo cerca de 30% ao mês. Antes do lançamento do Pix, sua média era de três transações/mês por cliente, hoje está perto de nove, a média do mercado.

O serviço tem como principais competidores o Iti do Itaú Unibanco, o Santander Way, o Caixa Tem e PicPay. Seu principal propósito é poder operacionalizar a vida financeira do cliente, seja ele Pessoa Física, pequenos empreendedores, desbancarizados e pessoas sem acesso a serviços financeiros.

Para fazer o onboarding na carteira digital não é necessário apresentar comprovante de renda. Basta enviar uma foto do documento e é feita uma análise prévia do crédito do cliente. O público, formado basicamente por jovens digitais que buscam na carteira uma alternativa aos serviços bancários tradicionais, tem sido de bancarizado, na sua maioria.

“Posicionamos o produto como sendo a carteira de bolso ou da bolsa do cliente. No transacional do dia a dia, eles preferem usar carteira digital devido aos incentivos de cashback e descontos, e costumam preservar o banco para os investimentos de maior vulto, como aplicações e financiamento imobiliário. No banco faço meu futuro e a carteira é o meu aqui agora”, observa.

Cashback agressivo

Os incentivos de cashback, bem agressivos, também têm sido outro recurso usado pela carteira digital do Bradesco para manter o relacionamento com o cliente ativo.

“O fato de termos chegado depois, em um ambiente de pandemia, onde alguns recursos de distribuição não foram possíveis de serem usados, o cashback foi estruturado para aumentar a adesão da carteira. Trata-se, no entanto, de mais uma cereja do bolo, pois se não oferecermos um produto para o cliente usar nas suas despesas do dia a dia, o cashback por si não se sustenta”, diz.

Além das parcerias estratégicas, o Bitz aposta nas aquisições. Desde que foi lançada, comprou a Forward, que operava com adquirência, e a Dindin, carteira digital do mercado.

Entre as iniciativas recentes que estão sendo implementados pela fintech, constam a nova parceria para pagamento de catracas no Rio de Janeiro e em São Paulo, assim como o desenvolvimento de projetos pilotos para levar a  carteira digital aos rincões do país.

“Selecionamos algumas cidades pequenas, com baixo índice de bancarização, como Califórnia, no Maranhão. Essa comunidade está respondendo positivamente à nossa iniciativa, tanto que já estamos desenvolvendo parcerias com o comércio local”, conclui.