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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vão leiloar seus créditos do antigo Banco Econômico. Com a operação, o BNDES e o FGC tentarão garantir a recuperação de créditos que estão em suas carteiras há 25 anos e sem perspectiva de recuperação antes de 2028. Como eles são reajustados pela Taxa Referencial (TR), zerada desde setembro de 2017, não sofrem correção desde agosto de 2017.

Com valor mínimo de R$ 937,75 milhões, a sessão pública está prevista para 10 de setembro e deve ser realizada de forma virtual, com transmissão pela internet. O edital com os detalhes da operação foi publicado nesta segunda-feira (9). O valor mínimo é composto de R$ 487,91 milhões do BNDES e R$ 449,84 milhões do FGC. Os investidores interessados devem se qualificar até o dia 8 de setembro.

O Banco Econômico S.A. entrou em processo de intervenção em agosto de 1995 passando a liquidação extrajudicial em 1996, quando possuía R$ 401 milhões em dívidas relativas a repasses do Sistema BNDES e débitos com o extinto FGDLI – Fundo de Garantia dos Depósitos e Letras Imobiliárias, que foi sucedido pelo FGC quando este foi criado. Posteriormente, esses créditos foram incorporados à massa liquidanda da instituição.

O BNDES defende que a cessão de créditos inadimplentes é um instrumento bem difundido no mercado bancário brasileiro, já tendo sido adotada inclusive por instituições públicas federais. O mercado contaria com diversas empresas especializadas na compra desses títulos e posterior recuperação do crédito. Segundo o BNDES, a venda por meio de leilão garante mais transparência ao processo e amplia a capacidade de geração de receita, ao permitir que diversos agentes de mercado possam competir pela carteira. Nesta operação, o comprador deverá efetuar o pagamento à vista ao BNDES e ao FGC.

Sem a venda, seria necessário aguardar o pagamento da massa liquidanda do Banco Econômico a outros credores que possuem prioridade. A dívida com o Banco Central, principal credor, só vence em 2028, por exemplo. Os créditos devidos pelo Econômico somam R$ 14,88 bilhões, sendo que R$ 12,02 bilhões são relativos a credores com direito a receber antes do BNDES e do FGC. Os créditos das instituições são quirografários, e por isso não possuem preferência na ordem de pagamento.

“O leilão, em parceria com o FGC, tem como objetivo possibilitar que o BNDES recupere valor importante de um crédito em processo de insolvência na nossa carteira há mais de 25 anos”, declara Bruno Laskowski, diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do Banco.

“Para desempenhar a sua missão de modo eficaz, o FGC deve sempre buscar alta liquidez e segurança na gestão de seus recursos. Essas diretrizes da nossa política de investimentos estão fortemente presentes nessa operação, que trazemos conjuntamente com o BNDES ao mercado”, afirma Daniel Lima, diretor executivo do FGC. (Com assessoria de imprensa).