Brasil pode gerar até US$100bi em créditos de carbono - Crédito: Freepik

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O Brasil tem potencial de geração de receitas com créditos de carbono até 2030 entre US$493 milhões e US$ 100 bilhões. Isso equivaleria a 1 gigaton (1bi de toneladas de CO2 equivalentes) ao longo da próxima década para os setores de agro, floresta e energia. A conclusão e do estudo da ICC Brasil, capítulo nacional da organização empresarial global, feito em parceria com a WayCarbon, consultoria estratégica com foco exclusivo em sustentabilidade e mudança do clima na América Latina.

Hoje, há um registro acumulado de mais de 14.500 projetos de crédito de carbono ao redor do globo, que corresponderam à geração de quase 4 gigatons de tCO2 de créditos até 2020.

O documento destaca que em 2021, vivemos  o impacto direto das mudanças climáticas, com registros recordes de temperatura, aumento de desastres naturais e prejuízos à biodiversidade ao redor do mundo. Esses sinais acendem um alerta urgente e direcionam as discussões e políticas públicas em torno do combate às mudanças em curso, sobretudo em um ano tão importante e decisivo, com a realização da 26ª conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26, que acontece em novembro.

O crédito de carbono é um instrumento econômico que visa a diminuição dos gases de efeito estufa. A cada tonelada reduzida ou não emitida desses gases, gera-se um crédito de carbono. Assim, quando um país ou empresa consegue reduzir a emissão, a depender das metodologias envolvidas, ele recebe um crédito.

O estudo aponta que, na próxima década, o Brasil tem potencial para suprir de 5% a 37,5% da demanda global do mercado voluntário e de 2% a 22% da demanda global do mercado regulado no âmbito da ONU. E, até mais, considerando as políticas públicas, gerando  receitas de 100 bilhões de dólares.

O estudo traz mais de 10 recomendações essenciais, mas há dois passos que são chave. O primeiro é entender os mercados de carbono como potencial de destravar oportunidades financeiras para planos de recuperação econômica e aceleração do crescimento sustentável da economia brasileira e o segundo, desenvolver sistemas de monitoramento, relato, verificação e redução de emissões robustos que abarquem todos os setores produtivos da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira.

Pontos-chaves por setor:

Setor Agropecuário:

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 10 e 90 Milhões tCO2e (até US$ 9 bi em cenário otimista)

Focos de investimentos: Sistemas integrados de lavoura e pecuária (ILP), e lavoura, pecuária e florestas (ILPF), agricultura de baixo carbono (ABC) , com foco principal em fixação do nitrogênio e plantio direto. Intensificação da pecuária bovina de corte, que inclui recuperação de pastagens degradadas, a adubação de pastagens extensivas e o confinamento

Cobenefícios socioambientais: redução da pressão sobre o desmatamento, melhoria da qualidade das condições de trabalho e contribuição para a segurança alimentar

Oportunidades para a cadeia produtiva: novas fontes de renda para os produtores rurais, recuperação do potencial produtivo em áreas degradadas, garantia da competitividade entre os principais fornecedores agrícolas internacionais e fortalecimento de pequenos produtores.

 Setor de Florestas:

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 71 e 660 Milhões tCO2e (até US$ 66 bi em cenário otimista)

Focos de investimentos: Reflorestamento, manejo e restauração florestal sustentável

Cobenefícios socioambientais: diminuição das erosões, manutenção na biodiversidade local, aprimoramento da qualidade e disponibilidade hídrica, efeitos positivos à saúde humana com a redução de desmatamento e queimadas

Oportunidades para a cadeia produtiva: geração de aproximadamente 7 milhões de empregos no Brasil

 Setor de Energia:

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 27 e 250 Milhões tCO2e (até US$ 25 bi em cenário otimista)

Focos de investimentos: turbinas hidrocinéticas, repotenciação das hidrelétricas, eólicas offshore, usina solar flutuante, cogeração, etanol de segunda geração, biocombustíveis avançados e hidrogênio verde

Cobenefícios socioambientais: segurança energética e geração de empregos e de renda

Oportunidades para a cadeia produtiva: novos empregos com quase 839 mil novos empregos com a geração de biocombustíveis, 166 mil com a geração de energia solar desde 2012 e 498 mil por ano para a geração de energia eólica entre 2011 e 2019.

(Com assessoria)