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O Brasil corre o risco de perder cerca de 17% do PIB até 2048, se não tomar medidas corretas contra o desmatamento da floresta Amazônica que tanto impacta o aquecimento global, alertou Al Gore, ambientalista e vice-presidente dos Estados Unidos no governo Bill Clinton, durante palestra virtual promovida pelo jornal Valor Econômico. Segundo ele, a previsão é do relatório Swiss Re, considerada a maior companhia de seguros e resseguros do mundo, que opera em mais de 30 países.

Para o ambientalista e Prêmio Nobel da Paz, o Brasil é uma das maiores matrizes energéticas do mundo, e, no entanto, convive com recordes de desmatamentos e incêndios florestais. “O fogo na floresta Amazônica gerou prejuízo na economia brasileira da ordem de US$ 3 bilhões e as enchentes, decorrentes desse desmatamento, US$ 500 milhões, em 2019”, disse.

Importância da tecnologia

A revolução da sustentabilidade, segundo ele, terá o mesmo impacto econômico da revolução industrial, porém ocorrerá na velocidade da revolução digital. Diante desse cenário, Al Gore chamou atenção para a importância da tecnologia como ferramenta essencial na transição para um modelo sustentável. “A tecnologia deve ser considerada uma oportunidade e não impedimento para o desenvolvimento econômico”.

Como exemplo citou as iniciativas de apoio à sustentabilidade que têm sido tomadas pelas bigtechs. A Apple, onde participa do conselho de administração, já opera 100% neutra e trabalha para zerar emissões secundárias e terciárias na sua cadeia de fornecedores nos próximos anos. O Google tem como meta só utilizar energia renovável até 2030, e a Microsoft tem a intenção de negativar as emissões até 2030.

O mercado financeiro, segundo ele, também acompanha a estratégia dessas empresas assumindo um papel relevante ao popularizar o investimento ESG, práticas ambientais, sociais e de governança. A aliança da Net Zero Asset Managers, que reúne gestores como Black Rock e a Vanguard, que administra mais de US$ 37 trilhões, fecharam o compromisso de livrar seu portfólio de emissões até 2050.

O Climate Trace, ferramenta de análise ambiental criada por uma coalizão de empresas de tecnologias e ONGs, terá como principal objetivo acompanhar a emissão de carbono em tempo real. A iniciativa contribuirá para evitar  práticas de greenwashing, falso marketing da sustentabilidade, que tem também ocorrido com frequência ao redor do mundo.