Brasil precisa aderir à pauta ESG

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O Brasil corre o sério risco de ficar isolado do mercado internacional de capitais por falta de adesão ao protocolo ESG (ambiental, social e governança). “Daqui a pouco o dinheiro vai sumir porque o país e as empresas não fizeram a sua parte. Esse mecanismo de inconstitucionalidade será mais efetivo e presente no dia a dia das empresas nos próximos anos”, disse o economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, durante o evento virtual realizado pela Totvs.

O ex-presidente do BC mostrou-se muito cético com relação aos esforços oficiais internacionais nas questões ambientais. Para ele os resultados da Conferência de Glasgow 2021 não foram bons.

“Tem uma luz vindo do setor privado a partir de uma iniciativa do ex-secretário geral da ONU Kofi Annan, que criou os princípios de investimentos responsáveis (PIR)”, afirmou. Essa iniciativa começou em 2006 e contou com a participação de apenas 20 grandes administradores de recursos que assinaram um compromisso entre si de apenas investirem em companhias que aderissem à agenda ESG. Atualmente, são cerca de 3 mil instituições que administram volumes de recursos superiores a US$ 100 trilhões.

“Isso muda a lógica do assunto ambiental, que deixa de ser uma questão das políticas oficiais e se torna uma coisa dos donos do dinheiro, pois consideram os mecanismos de condicionalidade quando operam os investimentos”, disse Franco.

Na opinião do economista e consultor, Alexandre Schwartsman, é o setor privado no país que, de alguma forma, está impondo ao governo um conjunto de iniciativas para que passe a agir de forma mais responsável com as questões de sustentabilidade e meio ambiente.

Como CEO de uma empresa listada em bolsa, boa parte dos acionistas da Totvs cobra um compromisso da empresa com as questões ESG. “Esse compromisso tem de ser manifestado, não só de boca, mas por meio de documentos e uma série de demonstração claras do que estamos fazendo”, observa Denis Herskowicz, CEO da Totvs.

Esse processo, na sua opinião, começa no nível das empresas maiores, das listadas em bolsa, e acaba descendo para as demais em um efeito multiplicador poderoso. “Sou bastante otimista. Boa parte das dificuldades, como custo de energia e combustível estão ligadas a esse tipo de descasamento entre a pressão do investidor para reduzir investimentos em determinados tipos de geração de energia, sendo que os novos recursos ainda não conseguem cobrir integralmente o que está sendo retirado.”