Brasil vive o 'boom' do ESG, diz Itau Unibanco - Crédito: Freepik

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A Mastercard, que há mais de 20 anos atua com inclusão financeira, abraçou a meta desafiadora em sua agenda ESG de inserir 1 bilhão de pessoas no mundo todo em seu ecossistema financeiro digital até 2025, afirmou Sarah Buchwitz, VP de marketing e comunicação da Mastercard Brasil, durante o painel de ESG realizado no 15º CMEP da Abecs. “Deixamos de falar de desbancarizados no país para tratar da qualidade da bancarização”, disse.

Para o Itaú Unibanco, que tem investido em ações sociais voltadas para educação e cultura, o empreendedorismo apresenta-se como uma janela de oportunidades para a inclusão financeira e geração de renda do brasileiro.

“O sistema financeiro tem muito a contribuir, especialmente com o empreendedorismo de base”, diz Luciana Nicola, superintendente de relações institucionais, sustentabilidade e empreendedorismo do Itaú Unibanco. O projeto Itaú Mulher Empreendedora, segundo ela, visa incentivar a conexão especialmente entre as pequenas empreendedoras.

De acordo com Nicola, o país está vivendo o boom do ESG e esse movimento tem se refletido em vários vetores de pressão. “Os investidores questionam o tempo todo sobre como estamos lidando com essas questões, o órgão regulador puxa cada vez mais a evolução do sistema financeiro como um todo e a sociedade exige maior alinhamento às práticas ESG”, observa. Segundo ela, o Itaú tem o compromisso de investir R$ 400 bilhões em impactos positivos até 2025.

Na parte ambiental, o Itaú Unibanco participa do plano para o desenvolvimento sustentável da Amazônia em parceria com o Bradesco e o Santander, lançado em 2020. O projeto tem entre ações prioritárias para a região, a conservação ambiental e desenvolvimento da bioeconomia, o  investimento em infraestrutura sustentável e garantia dos direitos básicos da população da região amazônica.

Desafios da governança

Com relação à governança, o grande desafio, segundo ela, é discutir os impactos da agenda ESG nas metas e remuneração dos colaboradores. “Trata-se de um tema transversal que promove muita transformação”, diz. Enquanto para o Bradesco, o calcanhar de Aquiles é gerenciar a cadeia de fornecedores.

“Trazer as práticas ESG para dentro da cultura de uma empresa é desafiante, especialmente, entre fornecedores de menor porte que não têm práticas de governança estabelecidas”, conforme André David Marque, diretor de produtos e canais digitais do Bradesco.

O Bradesco vai destinar R$ 250 bilhões para negócios sustentáveis até 2025, voltados para agricultura de baixo carbono, educação, esporte, energia renovável e saneamento.

Atualmente, mais de 75% dos clientes do banco recebem fatura por meio digital e a tendência é que esse percentual se reduza ao longo dos próximos anos. Além disso, o banco já tem em seu quadro 30% de funcionários negros e 50% mulheres.

Consumidor consciente

Do ponto de vista do consumidor, a Mastercard desenvolveu um estudo global com mil clientes sobre o impacto do desenvolvimento sustentável, que mostra o brasileiro como o povo mais engajado, preocupado e consciente sobre questões do meio ambiente e emissão de carbono que o dos demais países. Além disso, mais de 50% dos brasileiros disseram valorizar marcas comprometidas com a sustentabilidade, enquanto a média dos demais países não chegou a 30%.

“Como 84% de nossos clientes esperam um engajamento nosso, temos que considerar a agenda ESG”, concluiu Buchwitz.