Brasileiros das classes D e E começam a investir- Crédito: Freepik

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Cerca de 16% dos brasileiros das classes D e E investiram em produtos financeiros no ano passado, segundo aponta a Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima) no estudo Raio X do Investidor Brasileiro, desenvolvido em parceria com a Datafolha. É a primeira vez que o levantamento, publicado nos últimos cinco anos, traz informações sobre esses grupos da população brasileira.

O índice de investidores das classes A e B chegou a 52% e o da C 29% em 2021. O estudo mostra ainda que entre as pessoas da classe D e E, 82% disseram não conhecer/não utilizar algum produto financeiro, enquanto na classe A/B essa fatia é de 44% e na C, de 67%.

“Apesar de ter poucos recursos financeiros, há uma parcela das classes D e E que ainda consegue investir”, afirma Marcelo Billi, superintendente de comunicação, certificação e educação de investidores da Anbima.

Segundo ele, é esperado que um número menor de famílias das classes D e E consiga poupar e investir. “Precisamos olhar com mais atenção e avaliar suas estratégias para entender se há produtos e serviços adequados às suas necessidades, além de entender que iniciativas de educação financeira podem ajudá-las a poupar e investir melhor.”

Conforme mostra o relatório, os investidores das classes D e E preferem apostar em bens duráveis e imóveis (3%), além de seus próprios negócios (3%). As aplicações financeiras, por sua vez, apareceram em apenas em 1% das respostas nesse grupo, fatia bem menor quando comparada às das classes A e B (14%) e C (5%).

A poupança foi o produto financeiro mais utilizado pelo grupo das classes D e E (14%). Quase um terço dessas pessoas (28%) que investiram fizeram mais de um aporte ao ano e 24% ao menos uma vez.

O principal objetivo para mais de um terço desses entrevistados (34%) é pegar o recurso aplicado e realizar o sonho da casa própria, preferência também apontada entre as classes A e B (28%) e C (28%). Outros 15% querem utilizar esse dinheiro como uma reserva de emergência e há uma fatia relevante dessas pessoas (12%) que buscam recursos para empreender, mais do que as das classes A e B (6%) e C (8%).

O grupo de investidores D e E preferem ir pessoalmente ao banco (60%), enquanto 23% utilizam site ou aplicativo de sua instituição financeira e 4%, a central de atendimento, comportamento oposto das demais classes sociais.

A classe D/E é composta por mais de metade de mulheres (59%), com ensino fundamental (61%), com renda familiar média de R$ 1.492, cerca de dois terços (62%) é economicamente ativa e 44% moram na região Nordeste. Menos de um terço (22%) possuem conta corrente em instituições financeiras tradicionais e apenas 4% em bancos digitais.

As entrevistas para a realização da pesquisa ocorreram, presencialmente, entre 9 e 30 de novembro de 2021, com 5.878 pessoas das classes A/B, C e D/E, de 16 anos ou mais, nas cinco regiões do País.

(Com assessoria)