Ricardo Capucio, CEO da Brodr – Crédito: Divulgação

Hoje 60% da arrecadação no setor musical vem de direitos autoriais, devido a paralisação dos espetáculos. A Brodr foi criada em 2020 pelo advogado Ricardo Capucio, após um período na Global Startp Program. Especialista em propriedade intelectual, Capucio diz que o objetivo é o de fomentar o mercado de negociação e dar liquidez a direitos musicais no mundo virtual, trazendo investimentos para a indústria fonográfica por meio de NFT.

“Na Singularuty fomos aprovados para desenvolver uma plataforma de tokenização de música em NFT. Percebemos que a música era o segmento que mais ia se beneficiar dessa tecnologia porque o ativo musical já é um bem intangível por natureza; tem uma grande segurança jurídica no mundo inteiro com lei própria prevendo como essas transações acontecem; os investidores estavam interessando; e o fato de gerar receita recorrente, diferentemente do NFT arte”, explica Capucio.

Ele informa que o artista tem três opções de comercialização. O mais comum é o NFT Arte é uma obra que é vendida por meio de NFT. Já o NFT colecionável é uma peça exclusiva e única transformada em NFT. Um exemplo é o violão de um grande sambista brasileiro que terá sua obra distribuída pela plataforma no início de julho pela Brodr em parceria a Sony. Quem vencer o leilão levará o NFT e o instrumento musical. O terceiro modelo é o NFT music share, que é a receita que a música gera.

O marketplace da Brodr, atua principalmente com NFT music share que são os ativos musicais como rendimentos que as músicas geram para seus proprietários. Ele informa que a legislação brasileira separa as obras musicais em composição e fonogramas. A composição tem as receitas dos direitos autorais arrecadadas pelo ECAD, enquanto que os fonogramas são arrecadados pelas plataformas digitais.

“Há uma tendência global de que os ativos digitais sejam utilizados como uma extraordinária forma de diversificação de portfólio em economias onde os juros são muito baixos e não há grande ganhos com a renda fixa. Nos últimos seis anos, o mercado percebeu que comprar as receitas que as músicas geram é uma ótima alternativa de investimento, porque é de logo prazo – 70 anos no Brasil, 50 nos EUA – tem previsibilidade e estabilidade”, esclarece Capuci.

Nesse período, surgiram plataformas permitindo que donos dos ativos musicais os vendam para investidores que queiram diversificar seu portifólio. A Brodr negocia percentuais fracionados das obras, em que o artista pode deter ainda uma parte. Cada um dos contratos parcionados são transformados em NFT que atua como um certificado de autenticidade digital, garantindo que o ativo é da pessoa e permitindo a sua negociação.

“Testamos o processo ponta a ponta no ano passado – separação dos ativos, contratação com os proprietários, disponibilização na plataforma, venda para os investidores e arrecadação das receitas a que os investidores têm direito a receber mensalmente a título de royalties. Hoje somos uma plataforma que já emitiu mais de 7 mil musics share, ou NFT de ativos digitais”, anuncia o CEO da Brodr.

Os primeiros lançamentos foram o catálogo de Guilherme Franco, artista Gospel da Sony; LOthief, astro da música eletrônica, e o álbum Gospel Digno – Global Worship. Os fonogramas do álbum gospel comercializados em junho de 2020, rendem hoje 2,41% ao mês em royalties para seus investidores, já as obras musicais de LOthief que tem quase 1 milhão de acessos mensais no Spotify, chegam à média mensal de 1,10%.

O mesmo aconteceu com as músicas do compositor Guilherme Franco, que disponibilizou cerca de 300 obras musicais divididas em cotas e comercializadas no primeiro trimestre de 2021. As canções interpretadas por grandes nomes da música, como Gabriela Rocha, chegam a ter mais de 20 milhões de acessos mensais no Youtube e rendem para quem investiu, 1,27% a.m.

“Esses percentuais tendem a aumentar consideravelmente com os meses, já que a música rende royalties sempre que é tocada nas plataformas digitais, gravada ou inserida em algum material comercial”, diz Capucio.