O BTG Pactual foi um dos primeiros bancos a criar um fundo baseado em criptoativos e vem investindo bastante na tecnologia financeira. André Portilho, sócio do BTG Pactual, informou que em 2017, o banco começou a olhar com mais atenção para o mundo de criptoativos num ambiente muito polarizado. Em 2019, emitiu uma moeda, tokenizando um portfólio de imóveis do Brasil com emissão em Cayman. Mais recentemente, passou a ter demanda de clientes e foram lançando diferentes fundos, informou o executivo durante o Ciab 2021, da Febraban.

“Nossa visão é pragmática, há uma tecnologia nova em um estágio de maturidade que dá para fazer coisas práticas. Parece que vai caminhar e nós, como instituições financeiras, temos de prestar atenção. Mas não dá para entrar com viés. De um lado, há algo que foi feito à margem do sistema financeiro internacional, e tem muito o que desenvolver em termos de governança e compliance. Do outro lado, tem um sistema financeiro que está se digitalizando. Faz sentido acreditar que vai haver uma convergência entre os dois mundos. Precisamos entender como aplicar isso no negócio. Estamos muito animados com as s iniciativas do BC e da CVM para não coibir a inovação”, afirmou Portilho.

Volatilidade pé ampla

Ele diz que a grande maioria das discussões negativas não são características  dos criptoativos. Em qualquer tecnologia nova há movimentos de formação de bolhas, e de volatilidade.

“Quando há um lançamento como esse junto a um movimento macroeconômico de expansão monetária muito grande, a chance de se formar bolhas é grande. Mas isso não é inerente aos criptoativos. Cerca de 25% das ações os da Nasdaq são mais voláteis que o bitcoin. É necessário uma abordagem pragmática e entender que há volatilidade e risco. É uma evolução, não dá para ficar só estudando, para aprender tem que ficar engajado. Nossa visão é bem pragmática, não tem que se apaixonar pela tecnologia e sim o que ela traz para o negócio”, afirmou Portilho.

Quanto às NFTs, Portilho destaca que o ativo foi para as manchetes por conta de obras vendidas por milhões de dólares. Mas ele ressaltou que a NFT não é restrita ao mundo de arte e à indústria criativa, podendo ser usada para imóveis, por exemplo.

“Há muito oba-oba, mas é um dos casos de uso de muito potencial. A medida em que você digitaliza e depois descentraliza não dá para imaginar até onde vai. A questão é como fazer de uma forma segura e montar um arcabouço regulatório que não coíba a inovação e permita que esses produtos e serviços cheguem à população. Há muitos desafios regulatórios e as jurisdições físicas estão sendo questionadas”, reiterou o diretor do BTG.

Luís Kondic, diretor de produtos listados e dados da B3, destacou que a bolsa está sempre ligada às inovações do mercado e criptoativos são inovações relevantes. A B3 já tem dois ETF baseados em criptoativos. Em abril, foi emitido o Hash11 da Hashdex baseado no índice de criptos da Nasdaq. O fundo captou R$ 600 milhões na primeira emissão com 30 mil investidores e negociou R$ 159 milhões no primeiro dia, sendo o terceiro ETF mais negociado num estreia na bolsa. Na quarta-feira desta semana, foi listado o CBTC11 da QRCaptal, o primeiro ETF 100% referenciado ao bitcoin, ligado ao índice de contratos futuros de bitcoins da CMI, que captou R$ 104 milhões.

“No Brasil, além desses ETFs, há fundos ligados a criptoativos como os do BTG. Fora do Brasil, alguns mercados regulados têm além desses fundos, opções em contratos futuros e derivativos de balcão. Os criptoativos estão cada vez mais próximos do mainstream. Além de investidores de varejo, há cada vez mais institucionais envolvidos. As instituições estão reagindo às demandas dos clientes e a B3 quer viabilizar criptoativos para o mercado”, resumiu Kondic.

Em relação à volatilidade, Keiji Sakai da R3 diz que há uma procura global das grandes casas e instituições financeiras para que as empresas se posicionem. Ele afirmou que o preconceito do mercado está reduzindo, e, em vez de olhar como ameaça, já se vê  uma boa oportunidade.