Campos Neto critica criação de imposto sobre emissão de carbono - Crédito: Flickr BC

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central – Crédito: Flickr BC

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, criticou nesta quarta-feira, 18, durante a abertura do Congresso Mercado Global de Carbono, no Rio de Janeiro, a possível criação de um “imposto de carbono”.

“Escuto muito falar no imposto de carbono, em alguns casos parece justificável, mas nós acreditamos que o preço de mercado é sempre o melhor alocador de recursos na economia”, ressaltou.

Campos Neto afirmou que as discussões sobre meio ambiente e sustentabilidade têm grande ligação com a política monetária. “Estava fazendo uma reunião sobre inflação e falava da geada que vem por aí, qual é o impacto que isso pode ter em alimentos e na inflação de curto prazo. Diversos choques climáticos recentes tiveram impactos significativos sobre a inflação brasileira, como ondas de calor, geadas, secas”, observou.

O presidente do BC ressaltou que muitas medidas têm o objetivo de atingir segurança energética e alimentar e “vários governos estão fazendo medidas isoladas, com pouca coordenação e pouca lógica de mercado”.

Segundo ele, o mercado de crédito de carbono é uma forma engenhosa de internalizar as externalidades e possibilita que cada país colha os benefícios da redução de suas próprias emissões, contribuindo para maior cooperação.

“Acho que ao mesmo tempo precisamos produzir segurança alimentar e energética com menos carbono. A saída é organização com mercado, com preço e alocação de recursos eficiente”, disse.

Roberto Campos Neto lembrou que o mercado global de créditos de carbono vinha em um processo de crescimento, mas, após a crise financeira de 2008, se retraiu. Posteriormente, começou a se recuperar, muito em razão da demanda global por uma economia mais sustentável.

“O desenvolvimento desse mercado tem avançado, e apresenta grande potencial de crescimento, em virtude do amadurecimento da sociedade em relação às questões ambientais e do aumento do rigor da regulação ambiental dos países”, ressaltou.

“Queremos fazer um grupo para pensar quais serão as regras que vamos desenhar para que o mercado de carbono se desenvolva”, complementou. O presidente do BC destacou ainda que a transição para a economia verde não é mais só um tema de energia, mas de fluxos de investimento no mundo.