O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Duarte Guimarães                                                            Crédito foto: Divulgação

Pedro Duarte Guimarães, presidente Caixa Economia Federal, disse que as micros e pequenas empresas em breve poderão tomar dinheiro emprestado a taxas que variam de 2% a 3% de juros ao mês, pelo celular. O anúncio foi realizado na abertura do Ciab 2021, evento da Febraban, entidade que reúne os grandes bancos.

“Isso é algo que vai além do momento da pandemia, pois nunca houve financiamento às pequenas e microempresas no país a taxa alguma. Antes a CEF emprestava apenas para duas empresas, hoje são mais de 300 mil”, afirmou Guimarães.

Para Guimarães houve uma mudança estrutural na economia brasileira, maior que uma verificação do PIB, nos últimos doze meses com a pandemia, já que as pessoas mais carentes e as micro e pequenas empresas tiveram acesso ao crédito pela primeira vez e isso, em sua avaliação, não voltará atrás.

“Como consequência, teremos uma mudança de crescimento estrutural aproximando o Brasil dos países mais desenvolvidos e com taxas de juros estruturalmente mais baixas. Estou positivo do ponto de vista econômico”, disse.

A CEF, segundo ele, bateu o recorde de empréstimos no ano passado. “Nunca emprestamos tanto para crédito imobiliário, fizemos tantas operações de seguros, créditos consignados e nunca emprestamos tão pouco para as grandes empresas”, disse. Ao seguir essa diretriz, o banco mudou sua estratégia: “em vez de patrocinar times de futebol, passará a preservar as florestas”, alfinetou ele, referindo-se aos patrocínios da Caixa de governos anteriores.

Próximos IPO

Durante o painel que reuniu os seis maiores bancos do país, Guimarães mencionou a abertura do capital da Caixa Seguridade, braço de seguros da Caixa Econômica que estreou em alta na Bolsa após a IPO, movimentando R$ 5 bilhões em abril deste ano. Segundo ele, 55% da abertura do capital foi para o varejo, e a próxima IPO, que no momento encontra-se em processo de aprovação interna, vai passar para 80% no varejo.

“Em vez de 40 ou 50 IPOs, vamos fazer mil de R$ 10 milhões, R$ 30 milhões e R$ 40 milhões. Isso é uma demonstração de que há fonte alternativa de captação. Dessa forma mudamos estruturalmente o crescimento do PIB, pois as empresas podem utilizar os bancos de maneira complementar”, observa.

Na sua opinião, trata-se de uma revolução do mercado de capitais, como ocorre hoje nos Estados Unidos e na China. “Antes não havia abertura de capital no país com menos de R$ 1 bilhão e dependia apenas de poucos investidores institucionais, âncoras e estrangeiros”, concluiu.