China tem 400 cursos de graduação em Inteligência Artificial - Crédito: Freepik

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Universidades da China já têm 400 cursos superiores de Inteligência Artificial, que são interdisciplinares e reúnem professores de áreas como matemática, psicologia e ciências do cérebro. O desenvolvimento de IA é uma prioridade do governo de Pequim, que lançou plano nesse sentido em 2017, com metas específicas para 2020, 2025 e 2030.

As informações foram dadas nesta quarta-feira, 28, por Wu Fei, diretor do Instituto de Inteligência Artificial da Universidade de Zhejiang, em webinar promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a Embaixada da China no Brasil, o Ministério do Comércio da China e a Zhejiang International Business School (ZIBS).

Todos os participantes apontaram a IA como o principal motor da economia do futuro. “Nós temos que pensar a Inteligência Artificial como a nova eletricidade. O CEO do Google avaliou que a IA é a mais importante inovação da história”, ressaltou Ricardo Geromel, sócio da 3G Radar e moderador do evento.

Segundo ele, o Brasil não oferece formação universitária específica sobre o Inteligência Artificial e tem muito a aprender com a China no desenvolvimento deste setor. Geromel acrescentou que apenas 4% das matrículas em cursos superiores no Brasil estão ligadas à tecnologia de maneira geral. Na categoria estão os diplomas de Desenvolvimento de Sistemas, Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Desenvolvimento de Software.

Zhu Lian, vice-diretor-geral do Departamento de Comércio Eletrônico do Ministério do Comércio da China, disse que o desenvolvimento da economia digital e de tecnologias disruptivas como IA e blockchain fazem parte da estratégia de crescimento do país.

E-commerce

Segundo Zhu, a economia digital chinesa alcançou US$ 5,8 trilhões em 2020. A maior contribuição para a cifra veio do comércio eletrônico, área na qual a China é um dos líderes globais. O representante do Ministério do Comércio chinês disse ainda que um número cada vez maior de produtos brasileiros tem chegado aos consumidores chineses por meio do e-commerce. No primeiro trimestre, ressaltou, houve aumento de 133% nas vendas de produtos brasileiros por meio de lives nas plataformas digitais chinesas.

Executivos da brasileira iFood e das gigantes chinesas Meituan e JD.com deram exemplos de como o uso de IA viabiliza negócios que envolvem milhões de transações ao dia. Uma das maiores plataformas de e-commerce da China, o JD.com usa “humanos digitais” para apresentação de produtos 24h por dia.

Com uso da IA, o JD.com também “ensinou” máquinas a interpretarem imagens e vídeos para identificar defeitos em produtos, afirmou Mei Tao, vice-presidente da empresa. “A IA está presente em todas as áreas de atuação do iFood, como logística, marketing, atendimento e ações antifraude”, observou Sandor Caetano, chief Data Scientist da plataforma, que é a maior FoodTech da América Latina, com 60 milhões de pedidos por mês.

Entre outras aplicações, completou, a IA é fundamental para o conhecimento dos hábitos dos clientes, o que alimenta o algoritmo de sugestões de novos restaurantes.

Na Meituan, a IA permitiu que o veículo autônomo de entrega batizado de “Magic Bag 20” realizasse 2,2 milhões de entregas em 2020 em locais abertos, disse Zhang Lin, vice-presidente do Instituto de Pesquisa da plataforma.

Cooperação

O encarregado de Negócios da Embaixada da China no Brasil, Jin Hongjun, ressaltou que a economia digital é uma das prioridades do governo chinês na cooperação internacional. O diplomata propôs que Brasil e China unam esforços de governos, empresariado, think tanks e universidades para capacitar recursos humanos em áreas como pesquisa e desenvolvimento tecnológico, transformação digital de pequenas e médias empresas e governança digital.

“Vamos também fortalecer o alinhamento das estratégias de desenvolvimento da economia digital, com foco na troca de experiências e intercâmbios de políticas públicas sobre o desenvolvimento de setores essenciais, tais como Inteligência Artificial, Big Data e a Internet das Coisas, aumentando o volume de investimentos na economia digital.”

Presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, o embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, observou que o Brasil ocupa a nona posição global em número de unicórnios – empresas de tecnologia com valor superior a US$ 1 bilhão -, enquanto a China está na segunda posição. “O Brasil, que tem quase 80% de sua população conectada à Internet, pode encontrar na experiência chinesa uma grande fonte de inspiração”, afirmou o embaixador.

(com assessoria)