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A Cignifi, fintech especializada em soluções de segurança, recebeu aporte de US$ 1 milhão de investidores anjos brasileiros, BR Angel e Gávea Angel, e internacionais como a Leapfrog Investment e a Flourish Ventures. O recurso será aplicado para potencializar sua plataforma voltada para a criação de produtos antifraude e de risco de crédito, baseados em dados comportamentais dos usuários das telcos, alternativos aos dados cadastrais de birôs.

“Nossa grande visão é virar especialista em produtos em análise de onboarding (integração) baseado em dados alternativos, principalmente de telefonia móvel, seja do aparelho de celular ou das operadoras”, afirma Luis Sampaio, CEO da Cignifi.

Com a pandemia que acelerou o processo de digitalização das empresas, a necessidade de entendimento de comportamento para prevenção à fraude tem se tornado cada vez mais urgente. “Antes, a fraude era cadastral e informações de divergência eram consultadas nos birôs de crédito. Agora ela passa a ser comportamental, e para evitá-la é fundamental entender melhor o comportamento dos usuários de forma a tornar o processo de onboarding mais seguro”, diz.

As operadoras de telefonias, segundo ele, são as melhores e maiores fontes de dados para entender o comportamento das pessoas. “A forma como o celular é usado contribui para agregar informações às ferramentas antifraude existentes no mercado”, observa.

Trust plataform

A Cignifi em parceria com a Quod, birô de crédito dos cinco maiores bancos do país, desenvolveu um validador baseado no comportamento do cliente, que certifica a autenticidade de cadastramento, transações e cobranças. Para uma compra ser finalizada, por exemplo, o endereço do cadastro precisa bater com o local onde o celular é mais usado nos últimos 60 dias pelo consumidor.

O produto mapeia também informação a partir do entendimento de como a pessoa utiliza seu aparelho celular. “Com esses dados é possível criar uma identidade digital, capaz de discriminar e entender se a pessoa tem um comportamento fraudulento, bom ou ruim para uma avaliação de risco de crédito”, diz Sampaio.

O Trust Plataform é um conjunto de produtos para que as transações sejam baseadas em confiança e tem como pilares a fraude e o risco de crédito. O Autentica constrói scores de fraude ou riscos de crédito a partir de dados dos usuários e mantém a  parceria das operadoras de telefonia móvel como Oi, TIM, Claro e agora a Vivo. Com a chegada da Vivo, a cobertura, que antes era de 65%, chega a 97%. Além disso, vai contribuir para um aumento de 30% da receita, uma vez que a consulta só é cobrada por transação com resposta.

Na parceria, a Cignifi entra com o expertise global de trabalhar dados alternativos de telecom, a Quod em melhorar processos de decisões de risco e as operadoras como provedora de dados para validar a pessoa a partir do uso do celular e seu endereço.

Tratam-se de informações complementares, que segundo Sampaio, são fundamentais para esse novo mercado que está se expandindo, “seja para o  melhor entendimento das pessoas bancarizadas, ou para a  inclusão ao mercado de pessoas que antes não tinham acesso ao mundo financeiro”, observa.

Em conformidade com a LGPD ?

A solução foi desenvolvida respeitando os fundamentos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), segundo Gustavo Oliveira, diretor comercial da Quod. “A Quod autentica o dado cadastral, o processamento do cadastramento, a conta digital e emite a resposta online em tempo real”, diz.

Para Clarissa Luz, sócia de proteção de dados e tecnologia da Felsberg Advogados, a LGPD entende e permite o acesso a qualquer dado sem consentimento do usuário caso este seja utilizado para evitar risco de crédito ou fraude. “O dado que alimenta o negócio do data broker é pessoal e pode identificar uma pessoa direta ou indiretamente. Se houver acesso a dados de saúde, posicionamento político e étnico, considerados dados sensíveis, torna-se necessário então uma justificativa para poder usá-los, segundo a LGPD”, diz.

A advogada destacou, no entanto, que a geolocalização pode, por exemplo, levar a identificação de dados sensíveis. “Se tiver informação que determinada pessoa esteve cinco vezes em um hospital, por exemplo, pode ter acesso a um dado sensível, que se dará a uma confirmação de endereço”, concluiu