A ICTS, consultoria especializada em gestão de riscos e compliance, firmou parceria global com a inglesa Coinfirm, detentora de soluções de tecnologia regulatória e analítica de blockchain, para combater os crimes que envolvem criptomoedas. Por meio do trabalho de diligência realizado pela ICTS, a consultoria utilizará a tecnologia da Coinfirm para analisar e identificar situações vinculadas a maiores taxas de risco.

Entre as atividades ilícitas investigadas estão a lavagem de dinheiro, esquemas de pirâmide, assim como suborno e corrupção, atividade criminosa em geral ou relacionados a entidades internacionalmente sancionadas ou denunciadas. O objetivo da solução e da prática de diligência é combater ameaças presentes no mercado de criptomoedas, que está em vasto crescimento no Brasil.

Thacio Chaves, que é sócio da ICTS e diretor da área de Diligências, diz que a ICTS trabalha com análise de risco há mais de 25 nos por meio de processos de due diligence e avaliação de risco de terceiros, sejam fornecedores, parceiros de negócio ou clientes das empresas que a contratam. Nos últimos cinco anos foram mais de 50 mil due diligences. No final de março, a empresa lançou a plataforma Risk Check que embarga inteligência artificial aos processos de análise de risco de terceiros.

“Atendemos a 40% das maiores empresas do Brasil em vários setores – varejo, siderúrgicas, agronegócio. O cliente configura na plataforma o que entende como risco e define as fontes e temáticas (corrupção, trabalhista, ambiental) que quer avaliar. A plataforma analisa automaticamente. São mais de 1700 fontes de informação (CGU, TCU, todos os 108 tribunais, etc) para avaliarmos se há um processo judicial. Se houver, informamos no score de risco da empresa. Tudo é automatizado, mas há aprofundamentos que podem ser feitos pelos nossos analistas para elaborar o parecer”, explica Chaves.

Ele conta que, com a plataformas ICTS passou a ter muita demanda do setor financeiro, incluindo fintechs. Por ser um setor bastante regulado, o Banco Central tem demandado análise de due diligence mais robusta dos clientes de todo o setor financeiro. Uma parte são as exchanges que negociam criptomoedas.

“Percebemos a necessidade de aumentar o escopo de atuação para atender a esse segmento. Temos 1,7 mil fontes de informação, mas nenhuma analisava cripto moedas. Por isso buscamos a parceria com a Coinfirm, que vai nos ajudar a analisar as carteiras e transações dos cientes das exchanges, a fim de identificar se eles estão usando as criptomoedas de forma legal ou para fomentar tráfico de drogas, pirâmides, lavagem de dinheiro ou terrorismo. São analisadas pessoas físicas e jurídicas. Além das 1,7 mil fontes originais analisa-se as transações da carteira e se ela está ou esteve envolvida em algum esquema ilegal”, esclarece Chaves.

Por enquanto, a ICTS já conta com duas Exchanges como clientes. A partir da coleta de dado pela Coinfirm são avaliados lavagem de dinheiro, transações por países sancionados por entidades reguladoras como Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (OFAC), Her Majesty’s Treasury – UK (HMT).

Também são investigadas outras atividades ilícitas. A ferramenta identifica existência de padrões de comportamento transacional e de empreendimentos potencialmente ligados a lavagem de dinheiro, proprietários de alto risco, relações com países sancionados, atividades não reguladas, exchanges descentralizadas. Além de relacionamento com pessoas expostas politicamente; com esquemas de pirâmide e misturadores de transações (como Ponzi, pump and dump, CoinJoin, Lightning Network). E vínculo com atividades ilícitas ou de fraude em geral – suborno, corrupção, terrorismo, tráfico de drogas, crimes virtuais (como hacking, ransomware, clonagem de cartão de crédito, roubo de identidade), ou atos contra a vida ou patrimônio como evasão de divisas, sonegação e pirataria.

“As transações em blockchain são públicas, porém anonimizadas. Elas são desanonimizadas no momento em que são identificadas por organismos internacionais ou política federais de uma transação está relacionada a atividades ilícitas. A partir do momento em que se descobre quem está e por traz  e se identifica o grau do risco, todas as transações em cadeia terão seu risco sinalizado por grau de proximidade com a carteira. Também conduzimos pesquisas pelo próprio Risc Check, que inclui  listas de procurados da Interpol e do FBI ”, diz Gabrielle Stricker do Valle, especialista em Due Diligence na ICTS Protiviti.

Thacio diz que este tipo de investigação é o trabalho da empresa que conta com um grupo de analistas full time dedicados a buscar e fazer os links, inclusive procurando as carteiras na deep web. “Não é um trabalho simples e nem todas as carteira são identificadas. Eles ficam em um trabalho recorrente de tentar identificar essa carteiras relacionadas com irregularidades, para colocar na base de dados para que, quando formos analisar a transação vermos se há algum risco. A Coinfirm também tem muitos algoritmo e recursos de inteligência artificial. Nós apontamos o risco, a decisão é do cliente”, completa Chaves.