Notas de real de 20, 50, 100 e 200 - Crédito: Freepik

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Com a elevação em 1,5 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, que fecha 2021 em 9,25%, o cálculo do rendimento da poupança volta para a regra antiga. A nova Selic, fixada pelo Copom na última reunião de 2021, também afeta financiamentos imobiliários e a correção do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Isso acontece porque a Taxa Referencial (TR), que estava zerada, vai subir com o aumento da taxa Selic. A TR é calculada pelo Banco Central a partir dos juros das Letras do Tesouro Nacional (LTN), que variam seguindo a taxa básica de juros.

Taxa Referencial

A Taxa Referencial é usada como indexador para a correção das aplicações da caderneta de poupança, da prestações dos empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

No caso do FGTS, a correção do saldo é a TR mais 3%. E nos empréstimos para a compra da casa própria, a taxa corrige as prestações.

Segundo o diretor Executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional de Executivos (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a estimativa é que a TR fique em torno de 0,05%.

Oliveira lembrou que quando a Selic estava em 9,25% ao ano, em julho de 2017, a TR chegou a 0,0623%. Mas só será possível conhecer a nova taxa quando o Banco Central divulgar o cálculo mensal da TR referente a dezembro.

Poupança

De acordo com a legislação, quanto a Selic é igual ou inferior a 8,5% ao ano, a remuneração dos depósitos na poupança é composta pela TR mais 70% da taxa Selic.

Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança volta a render TR mais 0,5% ao mês (6,17% ao ano).

Segundo simulação da Anefac, com uma aplicação no valor de R$ 10 mil pelo prazo de 12 meses, o investidor acumula rendimento de R$ 680, totalizando R$ 10.680 ao final desse período.

De acordo com a Anefac, a poupança ganha em rendimentos dos fundos de renda fixa, principalmente nas aplicações de baixo valor, porque há cobrança de taxas de administração mais altas. Nos investimentos em poupança, não há cobrança de taxa de administração.

Inflação

Apesar do aumento do rendimento, a poupança ainda perde para a inflação. A expectativa de analistas de mercado é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) fique acima 10%.

Mas não é só a poupança que perde para a inflação. “Com inflação acima de 10% no ano, todos os investimentos de renda fixa, variável, poupança, CDB perdem para inflação. Mas o Banco Central sinalizou que vai continuar subindo a Selic. À medida que as taxas vão subindo, os investimentos tendem a voltar a ganhar da inflação”, disse Oliveira.

Renda fixa

Pela terceira semana consecutiva, os economistas consultados pelo Banco Central preferiram manter a projeção de alta para a taxa básica de juros em 11,25% até o fim de 2022, segundo o Boletim Focus. Ao mesmo tempo, passaram a projetar a Selic mais alta por mais tempo, com a expectativa de que esteja em 8% ao ano em 2023, ante projeção de 7,75% no levantamento anterior.

Na esteira de mais ajustes para cima na Selic até o ano que vem, em meio a um cenário de forte volatilidade com a aproximação das eleições e identificação de novas variantes do coronavírus, especialistas permanecem com maior parte das apostas em renda fixa pública de curto prazo ou investir em títulos indexados à inflação para prazos mais longos.

Mudar todos os investimentos para renda fixa, no entanto, pode não ser boa solução porque o investidor pode acabar perdendo boas oportunidades. Analistas veem boas perspectivas em multimercados, investimentos no exterior e até mesmo alocar até um pequeno percentual da carteira em criptomoedas.

(com Agência Brasil)