Como ficam os investimentos com alta nos juros no Brasil e EUA - Crédito: Freepik

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O Banco Central (BC) anunciou um novo aumento na taxa básica de juros, a Selic, desta vez em um ponto percentual, chegando na casa dos 12,75% ao ano. A preocupação com a inflação, que permanece avançando nas principais economias globais, se agravou em decorrência da guerra na Ucrânia e o retorno de medidas restritivas na China em função da pandemia, e fez com que o mercado reavaliasse as suas projeções até o fim de 2023.

O Relatório Focus divulgado na última segunda-feira, 2, revelou que as expectativas para a Selic permaneceram estáveis em 2022, a 13,25%. Já para 2023, as projeções subiram de 8,5% ao ano para 9,25%, indicando que a renda fixa deve continuar com a preferência dos brasileiros no próximo ano.

“Esse aumento sinaliza ao mercado que o Banco Central está aplicando medidas cabíveis para controlar a inflação que ainda não apresenta sinais de queda. Caso os indicadores econômicos não sinalizem esse controle da inflação no Brasil, será necessário prolongar um pouco mais esse ritmo de aumento de taxas de juros”, explica Lucas Sharau, assessor de investimentos na iHUB Investimentos.

Felipe Reymond Simões, diretor de Investimentos da WIT Asset, lembra que o Banco Central já vem aumentando os juros no Brasil desde março do ano passado e que o ajuste do Federal Reserve (FED, o banco central americano), que elevou a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,50 ponto percentual também nessa quarta, 4, pode contribuir positivamente para a bolsa de valores brasileira. Em sua análise, o Brasil e os países emergentes, de modo geral, se beneficiam do aumento da taxa de juros nos Estados Unidos.

Segundo o diretor da WIT Asset, historicamente, todas as últimas vezes que os Estados Unidos elevaram a taxa de juros de forma relevante, houve uma alta bastante expressiva na bolsa brasileira dolarizada. A expectativa é que os gestores desses fundos busquem oportunidades em outros mercados. Por consequência, o Brasil e outros emergentes poderão ser os principais beneficiados deste movimento.

Lucas Sharau vê o cenário sob outra perspectiva. “O fato de os juros nos EUA estarem subindo faz com que uma grande quantidade de dinheiro saia do Brasil em busca da segurança que o Tesouro Americano pode oferecer em rentabilidades mais atrativas, sobrando um pouco menos de dinheiro para posições mais especulativas, como no Brasil e em outros países emergentes”, comenta.

Ainda segundo o especialista, os gestores que lidam com grandes fortunas precisam decidir o que é mais importante neste momento. Manter a segurança de sua existência e, em segundo plano, equilibrar os mais diversos aspectos de rentabilidade e manutenção do poder de compra com diversificação e coerência.

Investimentos em renda fixa rendem mais

A Selic é a taxa que o Banco Central utiliza para remunerar o investidor em seu principal título de investimento: o Tesouro Selic. Também conhecido por LFT (antiga Letra Financeira do Tesouro), é a principal opção para o investidor que busca reserva de liquidez, além de ser o investimento com maior grau de segurança no país.

Na sequência, os investimentos que também são favorecidos pagam taxas de juros bancárias, o CDI, por exemplo, por ser uma taxa praticada pelos bancos privados muito próxima da Selic.

Além do Tesouro Direto, o especialista da iHUB, Lucas Sharau, cita mais cinco opções de investimentos que são favorecidos após a recente alta na taxa básica de juros: CDBs (Certificado de Depósito Bancário); LCI (Letra de Crédito Imobiliário); LCA (Letra de Crédito do Agronegócio); LC (Letra de Câmbio); e Fundos de investimento Referenciados DI.

Como fica a B3 neste cenário?

Em menos de cinco meses, a bolsa brasileira já ultrapassou os 120 mil pontos e esteve próxima de cair abaixo dos 100 mil, ou seja, a volatilidade é uma constante no momento. Mesmo diante deste cenário, segundo a XP Investimentos, a previsão de fechamento da bolsa em 2022 é na casa dos 130 mil pontos, maior índice histórico.

“A bolsa brasileira é composta na sua maioria por commodities, mas também possui em sua composição outros segmentos, cada um em seu momento, sendo que muitos deles ainda com perspectivas positivas de crescimento para investimentos mais longos do que seis meses a um ano”, afirma Sharau.

No próprio segmento de commodities, segundo o especialista, existem resquícios dos impactos da pandemia, e os preços de algumas empresas ainda podem estar descontados em relação aos preços considerados “justos” por suas ações.

Em relação à composição de carteira de investimentos em posição mais defensiva ou à procura de oportunidades, a diversificação ainda é uma estratégia interessante, apesar de o investidor voltar os esforços financeiros para produtos de renda fixa.

Felipe Simões considera que os investidores com foco no médio prazo (cinco anos) também deveriam ter uma parcela aplicada na bolsa. E as oportunidades estão justamente na bolsa brasileira e em algumas outras bolsas de outros países emergentes, mas principalmente o Brasil deve ser um dos principais destinos, com valores de ações atraentes. “Atualmente, negociamos em um nível de preços muito baixos, comparado com o nível histórico, então existem muitas oportunidades na bolsa brasileira”, sinaliza.

Para concluir, Sharau comenta que o investidor com um perfil não tão arrojado, posicionado na bolsa brasileira e que não deseja sofrer grandes impactos nos próximos seis meses, deve comprar proteção ou sair desta posição, pois o fluxo de dinheiro estrangeiro não deve retornar no curto prazo.

“Entre janeiro e março tivemos 62 pregões, e o estrangeiro fechou com saldo comprador positivo em 57 deles. Mas, desde a virada do trimestre em abril, foram 19 pregões com 14 deles o capital estrangeiro sendo mais vendido do que comprado, ou seja, o investidor vem retirando dinheiro da bolsa brasileira e levando para outra vertente de investimento”, ressalta Lucas Sharau.

Já o investidor mais conservador deve montar uma carteira defensiva e se beneficiar da taxa de juros acima dos dois dígitos sem grandes riscos e volatilidade. “O aumento dos juros nos EUA e Brasil beneficia o investidor brasileiro. Para o investidor que gosta de renda fixa, é bastante positivo porque aumenta a rentabilidade dos produtos mais conservadores”, finaliza o diretor de Investimentos da WIT Asset.

(com assessorias)