Bruno Pinheiro, CEO e fundador da Turn2C   Crédito: Divulgação

A falta de chips da indústria automobilística decorrente da pandemia somada ao boom do agronegócio contribuíram para o aquecimento do tradicional mercado de consórcio, que atingiu mais de 8 milhões de participantes ativos em maio de 2021, alta de 13% em relação aos 7,10 milhões registrados no ano passado, segundo a Associação Brasileira de Administradores de Consórcio (Abac).

Trata-se de um produto 100% brasileiro, considerado uma alternativa ao crédito, além de seu potencial para construção de patrimônio de pessoa física e jurídica. Porém, carrega o estigma de ser um produto de sorte ou de poupança forçada.

A Turn2C, fintech pioneira em planos de consórcio, chega com a promessa de resolver um dos maiores entraves enfrentados por essa indústria, ao longo de seus quase 60 anos de atuação no mercado: a disponibilização do bem. O ápice de seu aproveitamento é usar a carteira de consórcio de uma maneira rápida, conforme Bruno Pinheiro, CEO e cofundador da Turn2C.

“A maneira tradicional de vender consórcio por grandes representantes e administradoras mantém-se a mesma desde sua origem: modalidade de crédito e parcelas. No entanto, não há qualquer tipo de análise dos objetivos do cliente em adquirir o produto”, afirma.

Há dois meses em operação, a fintech já fechou parceria de representação com o Banco do Brasil, além de acordos com Itaú, Santander, Consórcio Magalu, Embracon e agora com o grupo mineiro Zema. O share das cinco administradoras que a fintech representa, soma mais de 34% do mercado, observa Pinheiro.

Diferenciais de negócio

A fintech desenvolveu um modelo de negócio baseado no conceito de venda assistida, que usa a tecnologia para achar a solução ideal de produtos de consórcio, conforme as necessidades do usuário, a partir de dados captados das administradoras e do Banco Central.

Além disso, atua com uma rede de parceiros que fornece produtos financeiros de terceiros – investimento, crédito e câmbio – e que agora passarão a oferecer também produtos de consórcio por meio da plataforma Turn2C. Com uso intensivo de tecnologia de Inteligência Artificial, Machine Learning e Analytics, a plataforma entrega segurança, agilidade e solução de alavancagem, desde a adesão até a conclusão do consórcio.

A fintech recebeu financiamento de um investidor anjo, cujo valor não foi revelado, que viu na solução uma oportunidade de potencializar a distribuição da plataforma para diferentes canais.

Atualmente, opera com mais de 250 parceiros e seu objetivo é chegar a 500 e atingir 50% do market share, até o final do ano. Sua preferência é estabelecer parcerias com empresas que não estejam envolvidas diretamente na dinâmica de consórcio e que já operem com carteira de clientes, como escritórios de investimentos, consultorias e agentes autônomos que montam produtos de instituições financeiras.

Segundo Pinheiro, a plataforma ataca também um outro grande problema dos consórcios que é a alta taxa de cancelamento. De acordo com o BC, o mercado conta hoje com 8,2 milhões de participantes ativos e 8,4 milhões de clientes excluídos. “Hoje 50% de tudo que é aderido, é cancelado em 12 meses. É preciso rodar o motor de várias maneiras para garantir que o cliente não vai cancelar”, diz.

Planejamento para adquirir bens

Criada pelos funcionários do Banco do Brasil na década de 70, a indústria de consórcio, passou a ser regulada pelo Banco Central em 2008. O desafio enfrentado nos últimos anos, resultou na saída de muitas empresas: das 550 administradoras autorizadas pelo BC apenas 140 permaneceram ativas.

A tradicional mineira Multimarcas Consórcios, que está há 42 anos no mercado, é uma delas e espera fechar o ano com receita de R$ 200 milhões, em relação aos R$ 170 milhões alcançados em 2020. Para Fernando Lamounier, diretor de marketing da Mutimarcas Consórcios, o brasileiro entende que contratar o consórcio é uma alternativa de planejamento para adquirir seus bens.

“As altas taxas de juros cobradas pelos financiamentos comuns têm aumentado a procura por consórcios que oferecem mensalidades que cabem no bolso do cidadão comum. Para um plano de 60 a 80 meses, a taxa fica em torno de 15%”, diz.

Conforme a Abac, o inédito recorde foi também devido ao aumento de 32,4% nas adesões acumuladas de janeiro a maio, com 1,35 milhão contra 1,02 milhão obtida no mesmo período do ano passado. Os resultados dos negócios também bateram recorde, R$ 83,19 bilhões (jan-mai/2021), 71,4% maiores que os R$ 48,54 bilhões (jan-mai/2020).