Pilha de notas de cem dólares - Crédito: Freepik

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As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 1,7 bilhão em setembro de 2021, de acordo com as estatísticas do setor externo divulgadas pelo Banco Central nesta sexta-feira, 22. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o saldo negativo foi 391% maior, quando registrou déficit de US$346 milhões.

Na comparação interanual, o superávit comercial reduziu US$1,9 bilhão, enquanto os déficits em serviços e em renda primária recuaram US$391 milhões e US$96 milhões, respectivamente. O déficit em transações correntes nos doze meses encerrados em setembro de 2021 somou US$20,7 bilhões (1,30% do PIB), ante US$19,3 bilhões (1,22% do PIB) em agosto de 2021, e US$32,3 bilhões (2,09% do PIB) em setembro de 2020.

A balança comercial de bens foi superavitária em US$ 2,5 bilhões em setembro de 2021, ante superávit de US$ 4,4 bilhões em setembro de 2020. As exportações de bens totalizaram US$ 24,5 bilhões em setembro de 2021, aumento de 33,9% ante setembro de 2020, e as importações de bens somaram US$ 22,0 bilhões, incremento de 58,2% na mesma base de comparação. As importações de setembro de 2021 incluíram US$ 1,0 bilhão em operações associadas ao Repetro (US$ 62 milhões em setembro de 2020).

Déficit em serviços

O déficit na conta de serviços somou US$ 1,4 bilhão em setembro de 2021, redução de 22,3% em relação a setembro de 2020. A conta de viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$237 milhões no mês, ante US$138 milhões em setembro de 2020. As despesas líquidas de aluguel de equipamentos somaram US$615 milhões em setembro de 2021, redução de 30,9% na comparação com setembro de 2020, influenciada pela nacionalização de equipamentos no âmbito do Repetro.

Em setembro de 2021, o déficit em renda primária totalizou US$ 3,1 bilhões, ante US$ 3,2 bilhões observados em setembro de 2020. As despesas líquidas de lucros e dividendos, associadas aos investimentos direto e em carteira, totalizaram US$ 2,0 bilhões em setembro de 2021, mesmo patamar observado em setembro de 2020.

Mais despesas

Apesar da estabilidade em termos líquidos, houve expansão nos fluxos brutos de lucros e dividendos. As despesas cresceram de US$ 3,4 bilhões para US$ 4,4 bilhões, e as receitas passaram de US$ 1,4 bilhão para US$ 2,5 bilhões, ambas na comparação entre setembro de 2020 e setembro de 2021. As despesas líquidas com juros somaram US$ 1,1 bilhão em setembro de 2021, ante US$1,3 bilhão registrados em setembro de 2020.

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 4,5 bilhões em setembro de 2021, ante US$3,4 bilhões em setembro de 2020. Os ingressos líquidos em participação no capital atingiram US$ 6,0 bilhões e as operações intercompanhia, saídas líquidas de US$ 1,5 bilhão. Nos doze meses encerrados em setembro de 2021 o IDP totalizou US$ 50,4 bilhões (3,16% do PIB), ante US$ 49,4 bilhões (3,12% do PIB) no mês anterior e US$ 54,8 bilhões (3,55% do PIB) em setembro de 2020.

Os investimentos em carteira no mercado doméstico totalizaram saídas líquidas de US$ 916 milhões em setembro de 2021, compostos por saídas líquidas de US$ 1,6 bilhão em ações e fundos de investimento e ingressos líquidos de US$ 676 milhões em títulos de dívida. Os ingressos líquidos de investimentos em carteira no mercado doméstico totalizaram US$ 41,6 bilhões nos doze meses finalizados em setembro de 2021.

Reservas internacionais

As reservas internacionais somaram US$ 368,9 bilhões em setembro de 2021, redução de US$1,5 bilhão em comparação a agosto de 2021. O resultado decorreu de retornos líquidos de US$ 930 milhões em linhas com recompra, das contribuições negativas de US$ 1,8 bilhão e US$ 1,2 bilhão, por variações de preço e paridade, respectivamente. A receita de juros totalizou US$ 447 milhões.

Para o mês de outubro, a estimativa do resultado em transações correntes é de déficit de US$ 4,2 bilhões; a de IDP é de ingressos líquidos de US$ 4,0 bilhões.

(com assessoria)