Sede do Banco Central em Brasília - Crédito: Flickr BC

Sede do Banco Central em Brasília – Crédito: Flickr BC

Confirmando as previsões do mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano. Esse é o sexto aumento consecutivo, o maior patamar da Selic desde setembro de 2017, quando estava em 8,5% ao ano.

Em nota, o Copom ressaltou que a inflação ao consumidor continua elevada. “A alta dos preços veio acima do esperado, liderada pelos componentes mais voláteis, mas observam-se também pressões adicionais nos itens associados à inflação subjacente”, assumindo que as diversas medidas se apresentam acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação.

Inflação muito acima da meta

O IPCA, a inflação oficial no país, acumula 10,34% em 12 meses. Está muito acima da meta do BC. O centro da meta de inflação deste ano é 3,75%, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Pelo sistema, entre 2,25% até 5,25% é considerado dentro da meta.

O Comitê avalia que os recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. “Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”, disse.

O Comitê entende ainda que a decisão de elevar a Selic em 1,5 p.p. reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023.

Novo ajuste, no mínimo, igual

“Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 8,75% a.a. neste ano e para 9,75% a.a. durante 2022, terminando o ano em 9,50%, e reduz-se para 7,00% a.a. em 2023. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 17,1% para 2021, 5,2% para 2022 e 5,1% para 2023. Adota-se a hipótese de bandeiras tarifárias “escassez hídrica” em dezembro de 2021 e “vermelha patamar 2” em dezembro de 2022 e dezembro de 2023”, afirmou a nota.

Para a próxima reunião, o Comitê prevê outro ajuste da mesma magnitude. “O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, concluiu.