Foto da sede do Banco Central, em Brasília

Sede do Banco Central, em Brasília Crédito: Flickr BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide, por unanimidade, elevar a Selic para 5,25% ao ano, enfatizando que “ainda há risco relevante de aumento da inflação nas economias centrais”, conforme nota divulgada pelo Banco Central no início da noite desta quarta-feira, 4. Esse foi o quarto aumento consecutivo da taxa.

Segundo o Comitê, em relação à atividade econômica brasileira, os indicadores recentes continuam mostrando evolução positiva, mas ressalta que a inflação ao consumidor, no entanto, continua se revelando persistente.

“Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável. Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos. Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas”, ressalta a nota do BC.

No cenário externo, segundo o Copom, a evolução da variante Delta da Covid-19 adiciona risco à recuperação da economia global. Ainda assim, o ambiente para países emergentes segue favorável com os estímulos monetários de longa duração, os programas fiscais e a reabertura das principais economias.

O Comitê admite, ainda, que as diversas medidas de inflação subjacente se apresentam acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação. As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 6,8%, 3,8% e 3,25%, respectivamente, sendo que as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 6,5% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,2% para 2023.

“Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 7,00% a.a. neste ano, mantém-se nesse valor durante 2022 e reduz-se para 6,50% a.a. em 2023”, revela a nota.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste na Selic da mesma magnitude.

CNI vê decisão como equivocada

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera equivocada a decisão do Copom de manter um ritmo expressivo de aumento da taxa básica de juros.

“O controle da inflação de oferta via juros é menos eficaz e requer um forte desestímulo à atividade econômica em um momento em que a recuperação da economia ainda se mostra frágil. A taxa de desemprego ainda está próxima do pico histórico e a produção da indústria de transformação perdeu força ao longo deste ano apresentando queda em cinco meses no primeiro semestre”, afirma o presidente da CNI, Robson Andrade.

A expectativa da indústria é de que as pressões de custos serão reduzidas à medida em que o real se valorize e o mercado de insumos e matérias primas se reequilibre. A CNI entende que as condições de crédito para consumidores e empresas deveriam continuar sendo de estímulo e a decisão por um quarto aumento da Selic é contrária a necessidade atual da economia, por desestimular a demanda e aumentar o custo do financiamento.