Pilhas de moedas representando gráfico crescente - Crédito: Freepik

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O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, aumentar a taxataxa básica de juros em 1 ponto percentual, mantendo o ritmo de ajuste já sinalizado na última reunião, para 6,25% ao ano. O resultado já esperado pelo mercado foi divulgado pelo Banco Central no início da noite desta quarta-feira, 22.

O Copom ressalta em nota que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. “No cenário externo observam-se dois fatores adicionais de risco para o crescimento das economias emergentes. Primeiro, reduções nas projeções de crescimento das economias asiáticas, refletindo a evolução da variante Delta da Covid-19. Segundo, o aperto das condições monetárias em diversas economias emergentes, em reação a surpresas inflacionárias recentes”, afirma.

Em relação à atividade econômica brasileira, o Copom acrescenta que a inflação ao consumidor segue elevada e a alta nos preços dos bens industriais ainda não arrefeceu e deve persistir no curto prazo. Os preços dos serviços também seguem elevados e persistem as pressões sobre componentes voláteis como alimentos, combustíveis e, especialmente, energia elétrica, que refletem fatores como câmbio, preços de commodities e condições climáticas desfavoráveis.

Inflação bem acima da meta

A nota do Copom lembra que as diversas medidas de inflação subjacente se apresentam acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação, sendo que as expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 8,3%, 4,1% e 3,25%, respectivamente.

A meta de inflação para 2021, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CNM), é de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, o limite inferior é de 2,25% e o superior de 5,25%

As projeções de inflação do comitê situam-se mais altas do que as previsões do mercado, de acordo com o Boletim Focus desta semana, em torno de 8,5% para 2021, diminuindo em 2022, para 3,7% e 3,2% para 2023. “Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 8,25% a.a. neste ano e para 8,50% a.a. durante 2022, e reduz-se a 6,75% a.a. em 2023”, pontua o comitê.

“Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária. O Copom reitera que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, alerta a nota.

Neste momento, de acordo com o Copom, o cenário básico e o balanço de riscos indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance no território contracionista e, para a próxima reunião, o comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude.