Copom eleva taxa de juros para 12,75% ao ano - Crédito: Flickr BC

Sede do Banco Central, em Brasília – Crédito: Flickr BC

A taxa básica de juros atingiu 12,75%, o maior índice deste fevereiro de 2017 e próximo aos 13% do mesmo ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) definiu por unanimidade, nesta quarta-feira, 4, alta de 1,00 ponto percentual na Selic. É a décima alta consecutiva da taxa de juros pela autoridade monetária.

A escalada dos juros é a resposta do Banco Central à inflação alta e persistente, que segue acima dos dois dígitos e até mesmo “surpreendeu” o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com a forte alta de março.

Em nota, o comitê observa que “a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demandam cautela adicional em sua atuação”.

O Copom analisa o ambiente externo com persistente deterioração. “As pressões inflacionárias decorrentes da pandemia se intensificaram com problemas de oferta advindos da nova onda de Covid-19 na China e da guerra na Ucrânia. A reprecificação da política monetária nos países avançados eleva a incerteza e gera volatilidade adicional, particularmente nos países emergentes”, afirma.

Em relação à atividade econômica brasileira, a observação do comitê ressalta que a inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente. “O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país, parcialmente incorporada nas expectativas de inflação e nos preços de ativos”.

Considerando os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 12,75% a.a. “O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023”, reflete.

O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista.

Embora preveja que, para a próxima reunião, uma extensão do ciclo de alta, mas com ajuste de menor magnitude, “o Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, conclui.