Foto de Marlus Araújo, pesquisador e co-fundador da CrptoArte com fundo de globo terrestre

Marlus Araújo, pesquisador e co-fundador da CriptoArte Crédito: Batman Zavareze

As NFTs têm estimulado movimentos artísticos contraculturais ou mesmo underground para alguns. Criada em janeiro por um grupo de designers e artistas, a Cripto Arte Brasil é uma comunidade de mais de mil artistas que vêm divulgando sua arte por meio de plataformas de NFT. Um dos projetos do grupo, ainda em gestação, é uma exposição permanente de obras dos artistas da comunidade – em áreas como arte digital, música, performance, artes plásticas.

“Será a Semana de Arte de 22 do século XXI”, afirma Bernardo Quintão, especialista em inovação da Mercado Bitcoin, uma das exchanges que poderá apoiar o evento ao lado da Nftfy.

“No lançamento, haverá palestras para discussões e troca de conhecimento e um congresso acadêmico em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Todas as obras da mostra serão NFTs que poderão ser adquiridas. O próprio site da mostra terá links para as plataformas onde poderão ser compradas”, diz Quintão.

Marlus Araújo, artista visual, designer , mestrando em Mídias Criativas da ECO UFRJ e um dos criadores a Cripto Arte Brasil, explica que haverá uma autocuradoria aberta para qualquer artista brasileiro que quiser submeter obras para a exposição virtual. A mostra ficará online durante três meses para funcionar como convite para que outros artistas participem.

Carlos de Oliveira, ou Vamoss, como é conhecido na comunidade que também ajudou a criar, destaca que os conceitos da CriptoArte foram publicados no documento Pindorama que traz uma série de definições, a começar pelo que ela não é. O documento esclarece que a cripto arte não resolve a pirataria – reforçando que cópia indevida é crime, conhecida como copymint e combatida pelas plataformas. Também não certifica que a pessoa é realmente o autor; e os arquivos não ficam hospedados na blockchain, estando sujeitos a serem perdidos se a plataforma for extinta.

De acordo com o documento, a CriptoArte é um mercado de arte digital realizado por meio de criptomoedas, em transações feitas de acordo com um contrato que estabelece como o registro de compra é realizado. Para muitos artistas, especialmente os jovens, a venda de arte digital através do mercado de NFT tem se mostrado a primeira oportunidade de vender sua arte, contribuindo consideravelmente para emancipação criativa, percepção de valor e valorização efetiva da produção artística.

Serve ainda como forma de democratização da arte, através de meios de incentivo, isto é, como a criptoarte é produzida, ao mesmo tempo em que cria meios de distribuição.

Marlus Araújo explica que, por ter uma diversidade de plataformas de NTF com curadoria (superrare, makersplace, foudation, knownorigin, niftygateway) ou as abertas (rarible e opensea) entre outras que estão surgindo, a ideia é ter um site que funcione como um agregador com links para cada uma dessas plataformas.

Nas plataformas com curadoria, o artista precisa submeter suas obras para que a plataforma permita a entrada ou não, de acordo com o portfólio. As abertas não têm essa seleção prévia.

De acordo com o Marlus, a maior parte dos artistas está na plataforma brasileira Hic et nunc (aqui e agora em latim), que funciona numa blockchain baseada no conceito de Proof of stake, ou “algoritmo de conceito”, que não exige o gasto de energia do blockchain convencional (baseado no conceito Proof of Work, de mineração).

“Os artistas passaram a usar o Hic et nunc numa crítica à plataforma Ethereum que é Proof of Work e tem um consumo energético grande, pois precisa de máquinas especializadas que façam checagem criptografadas intensas”, diz Araújo.

Ele destaca que muitos falam que a bolha do NFT estourou com os altos valores pagos por obras como as do artista Beeple, que colocou todas as suas obras nos últimos 13 anos, 5 mil desenhos, num conjunto só, vendido por US$ 69,3 milhões. O grande diferencial do Hic et nunc é que passou a criar outros fenômenos como artistas colocado obras seriadas a preços mais acessíveis e não uma peça única. Isso estimulou um mercado de artistas colecionadores e um mercado secundário.

“Enquanto a bolha do Ethereum subiu e desceu, o Hic et num não para de crescer. Toda semana há eventos espontâneos o que estimula o compartilhamento de obras. Como o Hic et nunc tem um comportamento de plataforma de mercado de arte e de rede social, está se criando uma alternativa a plataformas como Pinterest e Instagram , com a diferença de que os artistas são pagos pelos seu conteúdo”, analisa Araújo.

Na Cripto Arte Brasil, as obras poderão ser adquiridas como itens já disponíveis para a venda e outras serão leiloadas. A arrecadação visa viabilizar o projeto do site. “A própria arrecadação é o sucesso da mostra e dos artistas”, diz Araújo.

Paralelamente, a Escola de Comunicação da UFRJ estrutura um programa de extensão sobre metaversos com um seminário que seria parte da Cripto Arte Brasil mas que será um evento a parte. Com origem na obra de ficção-científica Snow Crash, de Neal Stephenson, um metaverso é um ambiente virtual que os usuários acessam por meio da internet e interagem por meio de um avatar.