Finance and Money Transaction Technology Concept

Crédito: Freepick

O cronograma apertado estabelecido pelo Banco Central na implementação da fase 3 do Open Banking, que entrará em operação no final de outubro de 2021, e a falta de iniciativas para promover a educação da sociedade sobre o uso da nova plataforma, em função da desigualdade social do país, foram apontados como os principais desafios enfrentados pelas instituições financeiras presentes hoje, no evento virtual Finance View.

“As regras do Open Banking estão sendo escritas simultaneamente ao desenvolvimento das soluções. Isso é bom, pois mostra que a indústria financeira está construindo o novo ecossistema em conjunto. Porém, nada será comparado à dificuldade que o usuário terá para entender e usar o Open Banking como protagonista”, afirma Pedro Pegoti, responsável por novos negócios no Banco ABC Brasil, especializado em clientes PJs.

Para Rogério Melfi, líder de soluções de Open Banking da TecBan, bancos e fintechs estão deixando seu portfólio de crédito e de investimentos mais eficientes para atender a nova a fase 3. “Os bancos já estão entregando valor ao cliente antes do Open Banking entrar em operação”, disse.

O Banco do Brasil está atuando simultaneamente em duas frentes para correr contra o relógio no cumprimento dos prazos. “Um time está focado nos mecanismos regulatórios e outro olhando para novas oportunidades de negócios”, conforme Karen Machado, executiva responsável pelo Open Banking no Banco do Brasil.

Segundo Pegoti, o Banco ABC Brasil teve que suplementar seu orçamento para adequar a instituição à demanda regulatória do BC. “Com relação aos dados acredito que todas as instituições estejam preparadas. A grande questão é se os bancos vão saber interpretar o comportamento do consumidor para oferecer melhores produtos e serviços em sua jornada.”

Dados em insights

Na opinião de Flávio Gaspar, líder de produtos da Topaz, transformar os dados em insights é o grande valor que o Open Banking trará para a sociedade. “O fato de ter dados não significa que boas ofertas vão surgir. Temos que considerar que o mercado está super aquecido e sofre um apagão de talentos.”

A segurança nas transações financeiras no combate à fraude aliada à experiência do consumidor foi uma outra questão colocada no debate. A taxa de crescimento do mobile banking, por exemplo, trouxe desafios para o país em relação à habilidade da sociedade para usar a tecnologia digital.

“Em termos de tecnologia, padrão de autenticação, o Open Banking é muito seguro, aliás segurança está no DNA do sistema financeiro brasileiro ao longo dos anos. Porém, a questão dos golpes de Engenharia Social precisa estar na pauta das empresas”, disse Gaspar.

Até que ponto a padronização das APIs vem comprometer a inovação no ambiente de plataforma aberta foi um outro ponto abordado pelos painelistas.

De acordo com Gaspar, a padronização é necessária. O modelo de Open banking aplicado nos Estados Unidos, que não conta com regulação, a inovação ocorre em maior escala. “Porém, as menores empresas se tornam reféns das grandes instituições financeiras, que, por terem mais capital, acabam detendo o controle do processo. Quando há padronização crescem as oportunidades para todos”, conclui.