Genaro Dueir Lins, diretor de crédito da Open Co Foto: Divulgação

Genaro Dueir Lins, diretor de crédito da Open Co Foto: Divulgação

A fraude é considerada um dos problemas mais sérios enfrentados pelo setor financeiro atualmente. Antes da pandemia, seu custo girava em torno de R$ 1 bilhão por ano, mas com a digitalização do sistema o valor aumentou brutalmente, conforme Genaro Dueir Lins, diretor de crédito da Open Co, durante evento virtual da FGV sobre regulação bancária.

Para cada fraude financeira, as empresas perdem 3,86 vezes o valor do que foi roubado, segundo estudo da consultoria LexisNexis Risk Solutions.

A criação de uma base cadastral de fraudadores unificada e auditável e de livre acesso para todo o segmento financeiro é uma solução simples de ser implementada e que pode reter o elevado custo da fraude para o setor, sugere Lins.

“É preciso tomarmos uma iniciativa rapidamente para evitar que a fraude se torne um problema sistêmico. Hoje ela representa um custo de entrada substantivo, especialmente para as fintechs.”.

Em se tratando de fraude, segundo ele, o Brasil é outlier, ou seja, lida com valores que fogem da normalidade, podendo causar anomalias nos resultados obtidos por meio de algoritmos e sistemas de análise.

Em 2020, principalmente nos segmentos de e-commerce, mercado financeiro e de telecomunicações, o número de fraudes cresceu 54% em relação a 2019. De 106 bilhões de transações digitais, foram feitas 3,5 milhões tentativas de golpe, segundo dados da Clearsale.

Disrupção no setor financeiro

Genaro acredita que o mercado financeiro brasileiro está passando por uma disrupção estrutural que tem gerado, inclusive, um potencial de oportunidades a serem exploradas. O aumento da competição já é visível, o que contribuiu para a redução de preço dos produtos financeiros, segundo ele.

“Em 2010 apenas 10 fintechs ofereciam crédito pelo aplicativo, hoje já são 125, enquanto a receita dos grandes bancos encolheu em média 12% no primeiro semestre de 2021. Isso mostra como tem sido acertada as iniciativas legislativas em relação ao setor”, afirmou.

Porém, Genaro ressaltou que nessa arena de disputa, os bancos tradicionais ainda desfrutam de maiores vantagens em relação às fintechs. A tarifa de Adiantamento a Depositante (AD), por exemplo, representa uma linha significativa no balanço dos grandes bancos. Se o usuário estoura o limite do cheque especial em R$ 1, por exemplo, é obrigado a pagar cerca de R$ 70 de multa.

“Isso não faz o menor sentido econômico, assim como o Seguro de Crédito Imobiliário, também uma das linhas mais rentáveis. Além de pagar uma fortuna pelo seguro imobiliário, há uma venda casada com a seguradora que o banco indica.”

Assim como as taxas da abertura de cadastro. “Nenhuma dessas taxas está ligada à segurança do setor financeiro, pois tratam-se de questões competitivas básicas. Quando abre o mercado para a competição, as fintechs chegam para monitorar essas distorções.”

Na opinião do executivo da Open Co, o que está tornando a disputa entre grandes bancos e novos entrantes mais igualitária são quatro pilares do mercado: captação de recursos, tecnologia, capital humano e contestabilidade no que diz respeito ao acesso a informação e a gestão de garantias.

Na captação de recursos, os bancos tradicionais têm vantagens imensas, pois o custo de captação é baixíssimo, chegando próximo de zero. Mesmo que os custos de FIDCS estejam mais baixos em termos de captação para as fintechs, até mesmo no mercado internacional, o que permite uma viabilidade grande, os bancos ainda levam vantagens.

Embora o legado tecnológico dos grandes bancos envolvam custos elevados, uma vez que sua digitalização está ligada à parte humana, esse processos maduros representam também uma vantagem competitiva para os grandes bancos.

As fintechs, por sua vez, já nasceram com tecnologia de ponta de forma digital, usando recursos de cloud, inteligência artificial entre outras, o que traz uma visão de futuro de baixo custo e, portanto, com condições de extrapolar a competição.

“As questões prudenciais e regulatórias continuam, mas ainda há um longo caminho em termos de ganhos de eficiência”, conclui.