Gustavo Araújo com a logomarca da plataforma ao fundo - Crédito: Divulgação

Gustavo Araújo, CEO do Distrito – Crédito: Divulgação

O crescimento dos ataques cibernéticos tem impulsionado o ecossistema de cybertechs no Brasil e no mundo. De 2013 a 2021, o setor recebeu US$ 388 milhões em investimentos só no país, sendo que US$ 282 milhões desse total, ou seja, mais de 70%, foram aportados nos últimos dois anos. É o que mostra o Inside Cybertech Report, relatório produzido pela plataforma de inovação aberta Distrito, com apoio da Cisco.

Hoje o Brasil já conta com 205 startups voltadas à cibersegurança, das quais 45 receberam investimentos até agora. Destaque para a startup Unico, antiga Acesso Digital, que captou no início de agosto deste ano US$ 120 milhões em uma rodada série C. Avaliada agora em US$ 1,02 bilhão, se tornou a primeira cybertech no Brasil a ganhar o título de unicórnio.

O relatório mostra como atualmente 90% dos malwares que geram esses ataques são entregues por links via email – um clique e a invasão pode ser feita. Em contrapartida, apesar de ser fácil a entrada desse roubo de dados, a recuperação pode ser demorada: 34% das empresas que sofrem um atentado do tipo demoram mais de uma semana para recuperar seus acessos. A previsão é que até o fim de 2021 os crimes cibernéticos gerem um custo de US$ 6 trilhões.

De acordo com o cofundador e CEO do Distrito, Gustavo Araújo, essa é uma questão que vai continuar ganhando muita força nos próximos anos. “Conforme migramos definitivamente para o mundo digital, maior será a demanda pelas soluções de segurança. Recentes ataques com grandes prejuízos a empresas também aumentaram o sinal de alerta”, comenta. Segundo ele, “os números mostram que o setor está em estágio de maturação no Brasil, com muito espaço para crescer e atrair cada vez mais investidores, seguindo o cenário internacional.”

Para o diretor de Transformação Digital da Cisco do Brasil, Rodrigo Uchoa, o caminho é promissor. “Temos um espaço enorme para inovação e evolução das tecnologias e soluções para segurança cibernética, abrindo oportunidades para empresas e startups brasileiras do setor”, destaca.

Blockchain no Brasil e no mundo

Esta edição do Inside Cybertech Report traz ainda um panorama das startups de cibersegurança voltadas especificamente para soluções de blockchain. Segundo o levantamento do Distrito, há no Brasil 26 startups do tipo, sendo que três delas receberam investimentos desde 2016, que juntos somaram US$ 538 mil.

Já no cenário internacional são atualmente 135 empresas de soluções de blockchain para cibersegurança, das quais 56 receberam investimentos: 36% (18) delas no estágio série A; 14% (8), série B; e 6% (4), séries C e D. As demais receberam aportes anjo ou pré-seed.

Ao todo, entre 2016 e 2021, foi levantado US$1,3 bilhão internacionalmente. Considerando apenas este ano, são US$ 853 milhões investidos em startups de blockchain, distribuídos em 19 rodadas.

As maiores startups do setor atualmente são a Fireblocks, que já levantou US$ 489 milhões; a Chainalysis, com US$ 367 milhões; a StartkWare, com US$ 118 milhões; a Elliptic, com US$ 44,3 milhões; e a Casa, com US$ 10 milhões. Já os investidores internacionais mais ativos são o Digital Currency Group, Kenetic, Collaborative Fund, Blockchain Capital e a Slow Ventures.

Movimento CyberTech Brasil

Ao entender a relevância e necessidade da segurança cibernética para garantir que as empresas e o governo possam continuar sua jornada de transformação digital, a Cisco e o Distrito anunciaram o Movimento CyberTech Brasil, que pretende contar com a participação e colaboração das principais organizações envolvidas no tema cyber, promovendo ações para a divulgação de conhecimento, capacitação de profissionais e inovação do setor no país.

A parceria tem por objetivo ainda fazer a conexão entre empresas e startups, por meio do CyberTech Digital Hub e Cisco Secure CyberHub, primeiro centro de inovação e experiências em segurança cibernética do Brasil, localizado dentro das instalações do Distrito Fintech, em São Paulo.

O novo centro permitirá a experimentação de cenários complexos de ataque e defesa, trazendo conceitos e tecnologias de segurança cibernética. O espaço reunirá informações em tempo real sobre ataques, resposta a incidentes e soluções tecnológicas.

(Com assessoria)