Marcela Ponce, Líder do Programa de Finanças Climáticas na IFC - Foto: Divulgação

Marcela Ponce, Líder do Programa de Finanças Climáticas na IFC – Foto: Divulgação

A falta de dados estruturados e de qualidade que permitam uma análise mais apurada e criteriosa sobre as questões climáticas e sustentáveis representa atualmente uma das principais barreiras para o avanço da agenda ESG na América Latina, afirmou Marcela Ponce, líder do programa de finanças climáticas do International Finance Corporation (IFC), durante o painel Finanças Sustentáveis, realizado hoje, dia 26, no Digital Money Meeting.

“É muito difícil ter análises profundas de longo prazo sobre o tema quando não há dados. É necessário alavancar ferramentas de inteligência artificial que possibilitem a geração de dados consistentes e dados comparáveis para avançarmos com essa agenda na região”, disse.

O IFC, que é membro do Grupo Banco Mundial, tem um programa de finanças verdes há mais de 20 anos e trabalha com instituições financeiras e de outros segmentos para promover os temas ESG. Nos últimos anos, tem aumentado o compromisso com as questões referentes à mudanças climáticas.

De acordo com Ponce, a instituição fez uma estudo investigando as viabilidades de financiamento climáticos na América Latina e identificou oportunidade de US$ 2,6 bilhões, em quatro países: México, Colômbia, Brasil e Argentina. Porém, a maior oportunidade, US$ 4,5 milhões, está em infraestrutura e transporte, enquanto construção sustentável nas zonas rurais e urbanas é de cerca de US$ 1 bilhão.

“Particularmente o Brasil apresenta uma imensa oportunidade na área de agricultura, desde controle da florestamento, que é um setor muito importante, assim como em maior produtividade, eficiência e recursos de água e fertilizante”, observa. Para efeito de Brasil, segundo ela, o relatório sobre os setores de transporte, construção sustentável, eficiência energética na indústria, representa US$ 6,5 bilhões de oportunidades.

Mercados emergentes

Conforme a líder do IFC, os mercados emergentes têm mais oportunidades que os desenvolvidos, porém várias ações terão que ser tomadas para aumentar o rendimento no longo prazo. “Passos importantes já estão sendo realizados para as instituições financeiras se conscientizarem da importância de terem um ativo verde, uma vez que finanças sustentáveis é tema muito amplo que envolve o social, o econômico e o ambiental.

Para fomentar o desenvolvimento das finanças sustentáveis, o Banco Central construiu sua agenda de sustentabilidade baseada em suas principais missões – estabilidade financeira, eficiência do Sistema Financeiro Nacional e estabilidade de preços (política monetária). Esse modelo, segundo Ponce, já servem de inspiração para instituições financeiras e demais empresas.

“Vemos que o alinhamento desses assuntos tem sido também um compromisso do setor privado. Desde de 2012, as políticas de responsabilidade social e ambiental e as estratégias normativas do Banco Central tem colocado o Brasil em uma posição de liderança frente às questões ESG na América Latina. E, mais recentemente, o lançamento da agenda sustentável”, afirmou.

Segundo ela, o valor das operações sustentáveis de crédito no Brasil tem crescido 52%, representando US$ 5,3 bilhões. “O Brasil tem liderado no âmbito do mercado de capitais, embora tenha apenas 10% do bônus verde. Isso mostra que ainda há muito o que fazer”, observa.

De acordo com estimativas do IFC seria necessário R$ 5 trilhões para o processo de transformação das cidades na América Latina, até 2030.